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Opinião Livro

Retrato de Família, Jojo Moyes


Título Original: Sheltering Rain
Autor: Jojo Moyes
Editora: Porto Editora
Género: Romance Contemporâneo
Páginas: 416
Ano Publicação PT: 2011

Sinopse

1953, Isabel II é coroada. A comunidade inglesa em Hong Kong reúne-se para celebrar o acontecimento. Para Joy, trata-se apenas de mais uma reunião enfadonha, idêntica a tantas outras. Mas a sua vida transformar-se-á nessa mesma noite ao conhecer o jovem oficial da Marinha Edward Ballantyne. A impulsiva proposta de casamento após um breve encontro parece ser a resposta a todos os desejos de Joy.

Mais de quarenta anos volvidos, Joy e Edward vivem na Irlanda e a sua relação com Kate, a filha, e Sabine, a neta de dezasseis anos, é distante e fria. Em Londres, Kate tenta resolver mais uma das suas inúmeras crises amorosas e, numa tentativa de proteger Sabine, decide que ela vá passar umas férias com os avós.

Para surpresa geral, Sabine parece adaptar-se bem à vida no campo e ao difícil temperamento da avó. Até que o súbito agravamento do estado de saúde de Edward obriga Kate a um inesperado regresso à casa de família, reabrindo as velhas feridas que a separam de Joy. Que segredos afastam mãe e filha? Poderá Sabine unir duas gerações tão diferentes, ou cairá também ela no silêncio que as separa?




Este foi o primeiro romance publicado por Jojo Moyes e percebe-se esse aspecto assim que vamos avançando com as páginas. Acaba por ser um bom relato de uma família mas muitas questões ficam por desenvolver criando um ambiente final desajeitado.

Três gerações: avó, filha e neta. Cada uma partilha as suas versões da maneira como viveram/vivem a vida. Com personalidades fortes trilham um caminho que pode chocar com o de muitos.

Nos anos 50, Joy fica noiva passando apenas um dia com o futuro marido Edward, mas viu nele razões suficientes para querer comparecer a seu lado para sempre. No presente vive amargurada com as dificuldades da família e com o estado de saúde cada vez mais fragilizado de Edward. A relação com os filhos, Kate e Christopher, não é das melhores, muito menos é, com a neta Sabine que aterra ali em sua casa na Irlanda.


Kate não conseguindo viver com tantas regras e restrições parte para Londres, onde cria sozinha a filha Sabine, depois dos pais a colocarem fora de casa. Sendo uma mãe relativamente jovem que cuida de uma adolescente, tem bastante dificuldade em lidar com esta, ainda por cima, quando mais um homem lhe arrebata o coração. Vendo-se confusa com os problemas sentimentais manda a filha passar uns tempos com os avós.

Sabine com 16 anos tem um temperamento bastante aguçado, não aceita certas atitudes da mãe nem dos avós, e é orgulhosa demais para admitir que gosta e importa-se com os outros. Consegue ser desagradável para todos os namorados da mãe, não suporta a fragilidade desta em relação aos homens e não suporta as imposições na casa dos avós. Até ao dia que começa a perceber a dinâmica daquela região, o amor dos avós, e a sua família.

Representa o distanciamento que pauta tantas famílias. Por detrás das portas e cortinados ninguém sabe quem sofre, quem mantém uma casa, uma família. Existem muitos segredos, ressentimentos, incompreensão e um grande fosso que não permite juntar as peças e as pessoas no seu devido lugar. Famílias disfuncionais que com novas convivências tentam aprender a colocarem as peças no sítio certo.
 


Porém não gostei de ver um distanciamento tão grande entre a Kate e a Sabine, sendo ambas tão jovens, gostava de ter assistido a uma conversa franca sem ataques pessoais. Saber que a filha magoa a mãe só porque sim sem nunca lhe pedir desculpas ou ser mais carinhosa, acho que não era a reacção que esperava. Quando são gerações mais antigas é mais difícil abrir o coração, mostrar os problemas e as mágoas, mas de alguma maneira a Joy e a Kate conseguiram fazê-lo. Por isso, ver gerações mais novas a terem mais dificuldades, não me caiu tão bem.

A ideia de juntar as três gerações foi boa contudo foi tratado de maneira bastante superficial. Para quem lê a sinopse ficaria a pensar que os problemas acabam ou, pelo menos, são resolvidos, que os pontos são finalmente colocados nos iis mas nada disso realmente acontece. A família só se aproxima mas não se une, não tenta estabelecer elos nem iniciar um novo começo familiar. Muitas pontas ficam soltas entre estas três gerações.


Por isso, acaba por representar bem o papel de ser um retrato de como muitas famílias vivem e não é de todo um mau livro, mas fica aquém do que se pode esperar de Jojo Moyes.

Citações:

"Se fosses um cavalo pensaria que tens estado nas mãos erradas."

"Se não sentes aquela...aquela...aquela maldita coisa que é única verdadeiramente autêntica, então não há nada a fazer. Certo?"

"Não esperes que seja perfeito. Se constróis uma ilusão durante muito tempo, garanto-te que nos decepcionaremos um ao outro."

Classificação: 3 de 5*
 


Opinião Livro

A Filha da Minha Melhor Amiga, Dorothy Koomson


Título Original: My Best Friend's Girl
Autor: Dorothy Koomson
Editora: Porto Editora
Género: Romance Contemporâneo
Páginas: 448
Ano Publicação PT: 2006

Sinopse

A forte relação de amizade entre Kamryn Matika e Adele Brannon, companheiras desde os tempos de faculdade, é destruída num instante de traição que marcará as suas vidas para sempre.
Anos depois desse incidente, Kamryn é uma mulher com uma carreira de sucesso, que vive sem ligações pessoais complexas, protegendo-se de todas as desilusões. Mas eis que, no dia do seu aniversário, Adele a contacta... A amiga de Kamryn está a morrer e implora-lhe que adote a sua filha, Tegan, fruto da sua ilícita relação de uma noite com Nate.

Terá ela outra escolha? Será o perdão possível? O que estará Kamryn disposta a fazer pela amiga que lhe partiu o coração?
Uma viagem dolorosa e comovente de auto-conhecimento, uma leitura de cortar a respiração.


Dorothy tem a capacidade de surpreender com cada história que apresenta ao leitor. Este embarca pela aventura que é saber perdoar quem mais nos magoa por serem tão importantes para nós. A curiosidade já estava mais do que espicaçada para lê-lo depois de saber que é um dos livros mais adorados pelos leitores da Dorothy e não pude adiar mais.
  
Kamryn não esperava que ao fazer 32 anos iria receber a sua maior e mais complicada prenda de sempre. Ao ler o postal de Adele, nunca esperava que a sua vida fosse dar uma volta de 180º num curto espaço de tempo. Adele bastante doente tenta fazer entender a Kamryn que ela terá de cuidar de Tegan, a menina de 5 anos, que representa os dois anos que Ryn quer tanto esquecer. Contudo, quando achava que Adele tinha possibilidades de melhorar, Kamryn e Tegan recebem uma notícia que as abala profundamente.

Usando artifícios do passado, vamos conhecendo a história de amizade destas dois amigas, os problemas e sacrifícios que passaram, assim como, as alegrias. No presente Kamryn aprende a ser mãe e a viver permanentemente com uma criança em sua casa até ao dia que o seu chefe Luke passa a ser o terceiro elemento desta família alternativa. Porém tem de existir sempre algo que abale as estruturas e o ex-noivo de Ryn, Nate entra em cena para o fazer.

Num só pacote podemos contar com relacionamentos amorosos, casos de uma noite, relação de amizade entre melhores amigas, más convivências com os pais, doença, profissionalismo e a maternidade. O amor de uma mãe que só tem aquele único ser pequenino na sua vida; e o descobrir que o amor e carinho de uma criança pode transformar a vida de quem é mãe por acolhimento.

Um tema forte: perdoar. Quem terá a capacidade de conseguir perdoar e viver constantemente ao pé da lembrança que alterou completamente o curso de uma história de vida? Haverá quem o consiga e este retrato representa bem que muitas vezes temos de colocar toda a magoa, tristeza e angústia para trás das costas se queremos seguir um bom caminho. E quando uma criança é colocada no caminho, mais se tem de pensar no seu bem estar e não nas quizílias que despedaçaram uma amizade, uma relação amorosa.

Gostei bastante mas apenas senti que o final foi demasiado repentino e tirou o seu quê de importância à história: não é à toa que decidimos a nossa vida num café quando se passaram 16 meses. Acho que faltava mais umas páginas para realmente completar uma história tão enternecedora.

Personagens credíveis que retratam que errar é humano e que não são os nossos erros que têm de nos definir, afinal todos nós, em certos momentos somos bons, noutro somos maus. A narrativa cresce gradualmente acompanhando o amadurecimento que as personagens são expostas perante o reencontro, o amor, o aprender, o perdoar, e acima de tudo, o saber viver.

Citações:

" Se as pessoas gostam de mim, isso é fabuloso, mas não e faz deixar de existir. Se não gostam, é igualmente fabuloso, porque eu não me importo e continuo a existir."

"Chorar era um escape aceitável, mesmo que nos fizesse sentir vazios e em carne viva por dentro; não deixava de ser melhor do que acumular mágoa provocada pelo facto de não expressarmos as nossas emoções."

Classificação: 4,5 de 5*

Opinião Livro

Alma Rebelde, Carla M. Soares


Título Original: Alma Rebelde
Autor: Carla M. Soares
Editora: Porto Editora
Género: Romance Histórico
Páginas: 280
Ano Publicação PT: 2012
ISBN: 9789720043375

Sinopse

No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios.
Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança.
Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor.
Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?




Queria ler mais autores nacionais e como tinha bastante curiosidade neste livro resolvi pegar-lhe e dar uma oportunidade ao que de bom se faz em Portugal. E se já gostava de romance históricos este veio consolidar ainda mais este meu gosto.

Quantos casamentos por interesse deve o mundo conhecer? Pois em pleno século XIX, era costume os pais arranjarem casamentos para garantir fortuna ou título. E é o que acontece com Joana e Santiago. São forçados pelos progenitores a entregarem-se a este negócio que vem salvar a família do noivo. Se Joana é completamente obrigada a deixar a família e partir para longe de tudo o que conheceu, Santiago só decidirá sobre a proposta conhecendo primeiro a noiva.



Joana sente-se completamente desamparada e deslocada em Pero da Moça. É medo que a move e que não a deixa encarar de ânimo leve esta situação. Sabendo de antemão das várias dificuldades que muitas mulheres passam quando são moeda de troca por casamentos de conveniência, sente-se cada vez mais apreensiva sobre quem poderá ser o noivo e qual será a reacção da família deste.

Santiago é tudo o que Joana não esperava. Não tem bigode nem é um homem carrancudo, mas confiante, optimista, apaixonado e de fácil trato. Esta reviravolta na personalidade que esperava que o futuro marido tivesse apanha-a desprevenida e quando dá por si não consegue deixar de se sentir cativada e sentir o gosto da liberdade que o noivo lhe proporciona. O medo de Joana começa a ser cada vez menor e a possibilidade de um futuro risonho ao lado de um homem com o coração do tamanho do mundo, começa a irradiar na vida dela.

Acho que o único problema foi o insistir no medo de Joana pois ela entrega-se de alma e coração ao sofrimento que a consome. Não é uma situação fácil de encarar não conhecer de lado nenhum a pessoa com quem terá de passar o resto da vida mas ela consumia-se excessivamente antes de conhecer o Santiago. E foi quando entrou esta personagem em cena que o livro passou a ter outro alento e uma perspectiva mais alegre.

O retrato social de Portugal no século XIX não foge muito à realidade actual: maus tratos físicos e psicológicos às mulheres; o poder que o dinheiro tem nas relações sociais; as relações entre Portugal e o Brasil que era visto como o país ideal para procurar novas oportunidades e a maneira como muitas pessoas põem a igreja à frente perante questões como a sexualidade ou o amor. Outro aspecto pertinente é a educação que as senhoras da alta sociedade recebiam para se tornarem melhores partidos e consequentemente sinal de bons (fortuna) casamentos, assim como, o facto de nunca questionarem os maridos mas acomodarem-se à vida que lhes foi atribuída.

Sinceramente fiquei bastante contente com a minha estreia com esta autora portuguesa. É um romance histórico que não dá apenas ênfase à parte amorosa mas utiliza como artifícios, para uma narrativa secundária, o lado mais negro que se respirava em Portugal naquele século.

Citações:

"Não gosto de juras, Santiago. Nem promessas. Quebram-se facilmente."

" A oportunidade para amar sorri-nos a todas, afinal, uma vez que seja, ainda que não como esperamos ou, por vezes, desejamos."

"A emoção toca a nossa vida inesperadamente. É preciso  saber abrir-lhe a porta, para entrar no céu."

Classificação: 4 de 5*