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Opinião Livro

A Árvore dos Segredos, Sarah Addison Allen



Título Original: The Peach Keeper
Autor: Sarah Addison Allen
Editora: Quinta Essência
Género: Romance
Páginas: 276
Ano Publicação PT: 2011
ISBN: 9789898228567

Sinopse

Sarah Addison Allen dá-nos as boas-vindas a uma nova povoação: Walls of Water, na Carolina do Norte, onde os segredos são mais espessos do que o nevoeiro das famosas quedas-dágua da cidade, e as superstições são, de facto, reais.
Willa Jackson vem de uma antiga família que ficou arruinada gerações antes. A mansão Blue Ridge Madam, construída pelo bisavô de Willa durante a época áurea de Walls of Water, e outrora a mais grandiosa casa da cidade, foi durante anos um monumento solitário à infelicidade e ao escândalo. Mas Willa soube há pouco que uma antiga colega de escola a elegante Paxton Osgood - da abastada família Osgood, restaurou a Blue Ridge Madam e a devolveu à sua antiga glória, tencionando transformá-la numa elegante pousada. Talvez, por fim, o passado possa ser deixado para trás enquanto algo novo e maravilhoso se ergue das suas cinzas. Mas o que se ergue, afinal, é um esqueleto, encontrado sob o solitário pessegueiro da propriedade, que com certeza irá fazer surgir coisas terríveis.
Pois os ossos, pertencentes ao carismático vendedor ambulante Tucker Devlin, que exerceu os seus encantos sombrios em Walls of Water setenta e cinco anos antes, não são tudo o que está escondido longe da vista e do coração. Surgem igualmente segredos há muito guardados, aparentemente anunciados por uma súbita onda de estranhos acontecimentos em toda a cidade.



Um pouco de magia e mistério traz sempre algo de interessante a qualquer narrativa, e Sarah Addison Allen, sabe isso perfeitamente. Por isso, é que nos presenteia com obras tão saborosas.


Um quarteto reencontra-se passados uns anos do liceu em Walls of Water, a pequena povoação da Carolina do Norte onde todos habitaram. Willa Jackson, os irmãos gémeos Paxton e Colin Osgood e Sebastian, não eram amigos nos tempos de escola mas passados esses anos começam a relacionar-se. Paxton foi a única que nunca abandonou a terra natal, enquanto Willa e Sebastian deixaram-na durante os anos de faculdade mas acabaram por regressar, sendo Colin o único que não retomou à base.


Willa depois dos anos áureos no liceu e na faculdade deixa a vida de maluqueiras para abraçar novos projectos na terra natal. Depois do pai morrer vai viver para a casa deste, adquire um café e uma loja de desporto com base naturais. O café fica a cargo da sua colega Rachel que através da maneira como as pessoas pedem o café pressupõe como será a sua personalidade, enquanto a loja fica a seu cargo apesar de não ser amante da natureza. 
Paxton é super controlada e organizada. Tem listas para tudo até para o homem perfeito e é a imagem da vida perfeita, mas mesmo com 30 anos não tem marido nem filhos e vive ainda com os pais. Já Sebastian depois de anos de indiferença e rejeição por parte dos colegas e do pai, dá a volta por cima e actualmente é dentista e tem um aspecto sempre impecável, apesar do passado insistir a  assombrá-lo. 
O gémeo de Paxton, Colin deveria ter seguido as pegadas do pai mas quis o destino que a Brincalhona do liceu lhe mostrasse que tudo é possível e a vida é para ser vivida. Por isso tornou-se arquitecto paisagístico, viaja por todo o lado e deixou para trás os pais e a irmã, vendo-os muito raramente.
A restauração da Blue Ridge Madam e a respectiva gala de abertura desta numa pousada desenterra segredos com mais de 75 anos e ajuda a aproxima este quarteto.

Paxton consegue desprender-se dos objectivos que todos lhe apontam e tomar finalmente as rédeas da sua vida. E quando isso acontece, Sebastian também consegue finalmente largar o passado, e abraçar por inteiro o sentimento por Paxton. 
Já Willa, sempre a enganar Rachel sobre a maneira como gosta de beber café para não ser avaliada, e fugir do interesse de Colin, não consegue resistir durante muito tempo. O sofá sedoso pode ser incrivelmente interessante mas começa a ser mais quando os irmãos Osgood lhe dão uso. E assim, nasce uma nova amizade entre si e Paxton, e a paixão por Colin.

Um livro que fala de amizades antigas e novas assim como os valores subjacentes à ela. Se para alguma coisa serviu o desvendar dos segredos daquela casa e daquele pessegueiro que nunca deu frutos mas que continuou sempre a crescer, foi mostrar o poder que uma amizade pode significar. Mesmo que as pessoas se separem e a amizade seja posta de parte, há segredos que vão para o túmulo e a protecção é vista como um dever não como um trunfo. Pode a vida dar muitas voltas porém haverá sempre alguém que nos marcará para sempre e esse para sempre significa guardar todas as memórias e confissões trancadas no coração. Afinal, há laços que são inquebráveis que desafiam várias gerações.


Classifico este livro para aqueles dias em que se quer ler algo rápido e que mesmo assim nos proporcione bons momentos. Perfeito para acompanhar com chá e uns biscoitos porque caí sempre bem.

Citações:

"«Quando souberes um segredo de alguém, os teus próprios segredos não estarão em segurança. Revela-se um e é o mesmo que revelá-los todos.»"

"Todas as formas de vida precisam de um pouco de espaço para que as coisas boas possam entrar."

"Nós somos o que somos. É surpreendente ver a pouca influência que temos nisso. A partir do momento em que aceitamos esse aspecto, o resto é fácil."

"A felicidade é um risco. Se não te sentisses um pouco assustada, isso queria dizer que não estavas a proceder da maneira certa."

Classificação: 4 de 5*



Opinião Livro



O Jardim Encantado, Sarah Addison Allen



Título Original: Garden Spells 
Autor: Sarah Addison Allen
Editora: Quinta Essência
Páginas: 270 
ISBN: 9789899578838

Sinopse

Num jardim escondido por trás de uma tranquila casa na mais pequena das cidades, existe uma macieira e os rumores que circulam dão conta de que dá um tipo muito especial de fruto. Neste encantador romance, Sarah Addison Allen conta a história dessa árvore encantada e das extraordinárias pessoas que dela cuidam...
As mulheres da família Waverley são herdeiras de um legado mágico — o jardim familiar, famoso pela sua macieira, que produz frutos proféticos, e pelas suas flores comestíveis, imbuídas de poderes especiais que afectam quem quer que as coma.
Proprietária de uma empresa de catering, Claire Waverley prepara pratos com as suas plantas místicas — desde as chagas que ajudam a guardar segredos até às bocas-de-lobo destinadas a desencorajar intenções amorosas. Entretanto, a sua idosa prima Evanelle é conhecida por distribuir presentes inesperados cuja utilidade se torna mais tarde misteriosamente clara. São elas os últimos membros da família Waverley — com excepção da rebelde irmã de Claire, Sydney, que fugiu da cidade há muitos anos.
Quando Sydney regressa subitamente a Bascom com uma filha pequena, a tranquila vida de Claire sofre uma reviravolta, bem como a fronteira protectora que erigiu tão cuidadosamente em redor do seu coração. Juntas uma vez mais na casa onde cresceram, Sydney reflecte sobre tudo o que deixou para trás ao mesmo tempo que Claire se esforça por sarar as feridas do passado. E em pouco tempo as irmãs apercebem-se de que têm de lidar com o seu legado comum para viverem as alegrias do futuro que se anuncia.
Encantador e pungente, este fascinante romance irá, seguramente, enfeitiçar o leitor.



Um livro com uma história mágica e muito colorida, apela muito aos sentidos da visão e do paladar. Onde a magia e a realidade estão completamente conexas.


As mulheres da família Waverley são conhecidas pela macieira que possuem e pelos seus dons. Se algumas lhe dão uso, como Claire ou Evanelle, e até mesmo Bae, outras tentam escapar, como Sydney. Claire e Sydney são duas irmãs que não podiam ser mais diferentes, enquanto a primeira abraça tão ferozmente a vida em Bascom, a segunda foge mesmo daquele local. Mas a volta inesperada à terra natal faz com que os laços familiares fiquem mais fortes e o nome Waverley não seja fardo.


Claire aprendeu desde sempre que nada na vida é permanente mas que tudo é apenas temporário. É-lhe assim difícil estabelecer relações com os outros e refugia-se naquilo que sabe fazer de melhor, como cozinheira na sua empresa de catering, pela segurança que isso lhe traz. Custa-lhe acreditar que a irmã tenha voltado de vez e apesar não acreditar na durabilidade do amor, dá-lhe uma oportunidade. Com a ajuda da cozinha e de truques mágicos esforça-se para rejeitar Tyler, embora caía tudo por terra. 

Sydney é um espírito livre. Quis seguir os exemplos da mãe mas só mais tarde percebeu que o que a mãe fazia tinha uma justificação, enquanto a sua atitude foi apenas por quer imitá-la. Quis tanto ignorar o meio onde nasceu que não teve outro remédio senão voltar pois é o único sítio para onde pode fugir do marido e onde quer que a filha, Bae, tenha uma casa. Se em nova não gostava da irmã Claire, quando regressa percebe as motivações desta por ser da maneira que é. Com Henry vai redescobrir a felicidade e que ser cabeleireira faz milagres.


Bae é uma criança que cedo percebeu que sabia onde eram o lugar das coisas. Normalmente as coisas tomam o lugar certo quando costuma apontar para onde elas pertencem.
A prima Evanelle é uma personagem adorável. Já de alguma idade, tem como dom o de entregar algum objecto a quem quer que seja mas nunca sabe a finalidade do mesmo. Apenas sabe que se não o fizer fica maluca. Porém mais tarde a pessoa saberá o que de fazer com ele. 








E claro, não me podia esquecer da macieira que tem um papel importantíssimo em todo o livro. Tem o poder de mostrar os acontecimentos mais importantes às pessoas, mas sinceramente não gostava nada de provar uma maçã dela.

Aconselho vivamente este livro. Os sentidos vão estar activos em toda a leitura, é lido rapidamente e não é difícil criar empatia pelas personagens. É a leitura apropriada para este verão (se ele vier) e deixem-se entrar neste mundo. Tenho O Feitiço da Lua, e espero que a leitura também seja tão prazerosa.


Citações:

“Somos quem somos, quer gostemos quer não, por isso porque não gostar?”

“As coisas aconteciam como era suposto que acontecessem e que não valia a pena tentar prever o que se seguiria. As pessoas gostavam de acreditar no contrário, porém, aquilo em que acreditamos não tem qualquer influência pratica no que acaba por acontecer. Não podemos ficar bem só por pensarmos que estamos bem. Não decidimos deixar de estar apaixonados.”


Classificação: 4 de 5*