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Opinião Livro

A Sombra de um Passado, Carina Rosa



Título Original: A Sombra de um Passado
Autor: Carina Rosa
Editora: Coolbooks
Género: Romance Contemporâneo
Páginas: 312
Ano Publicação: 2014

Sinopse

Conseguirá o verdadeiro amor apagar uma grande paixão?

Clara e Santiago vivem um casamento feliz e juntos planeiam construir um palácio de sonho para viverem com a filha. Mas quando, numa concentração de motas, Clara reencontra o homem que quase destruiu a sua vida, o passado mistura-se com o presente e a sua felicidade ao lado de Santiago é ameaçada. Hugo regressa após dez anos na prisão e Clara sabe que ele quererá vingança por ter sido abandonado e por tudo o que ela construiu na sua ausência. As inseguranças da menina inocente que foi um dia regressam e, com elas, a culpa e o sentimento doentio que nutriu em tempos por Hugo.

A sombra de um passado é uma história de amor, de sonhos e de perdas que nos leva ao mundo do crime, das drogas e da discriminação racial. Um tributo à família, aos que amam e sabem amar-se e à felicidade nas pequenas coisas.


Quando eu e a Silvana do Por detrás das palavras criamos o Desafio Português no Feminino 2015 pensamos em aliar este com a nossa parceria para leituras conjuntas, daí termos sugerido ler como primeira autora portuguesa a Carina Rosa. Se em Dezembro tinha lido o conto Olhos de Vidro, fiquei ainda mais entusiasmada para avançar para uma obra maior.

Clara tem uma vida estável com o seu marido Santiago e a filha Carolina no Algarve, longe do local onde nasceu, o Porto. Dez anos separam o momento que abandonou o local de más memórias para construir uma nova vida na outra ponta do país.

Profundamente marcada pelo passado, o presente é resultado das cicatrizes deixadas quer pelo pai, quer pelo ex-namorado Hugo. Não acredita no para-sempre, tem uma vidão muito clara e realista do que espera da vida. Por se ter deixado levar na cantiga do ex-namorado, tem serias dificuldades em ver exactamente o que de bom que tem à sua frente, e neste caso falo no amor e dedicação que o marido Santiago, depositou desde o 1º momento nela. Pelo contrário senti que a Clara transfere esse tipo de emoções para com o Hugo e não pelo marido. Enquanto se subjuga a um, a outro é fria e distante.

Em certos momentos não estava mesmo nada à espera do rumo que as situações tomam, e foi este um dos aspectos que me cativou, pela estupefacção que me deixaram. Contudo também existiram outros tantos que só me apetecia dar um estalo a alguém para chamar à razão. Com personagens verídicas que retratam o bom e o mau do caráter de cada um, achei que existiram alguns pontos que careceram de realismo. Vamos conseguindo ter uma visão de quase todas as personagens - Clara, Santiago, Hugo, Tatiana - com os diálogos internos que vão tendo e muitas vezes sentimos a angústia, frustração ou medo de cada um. E neste aspecto a Clara era a mais repetitiva com pensamentos recorrentes ao que se passou naquela garagem há tantos anos.

Não há certezas absolutas até ao final, tais são os confrontos com a verdade, a escolha, o perdão, e acima de tudo, a aceitação de que o do que aconteceu e que nem sempre há vencedores. O Hugo teve de conseguir aceitar a escolha da Clara e a Clara teve de aceitar as memórias de um passado que pouco ou nada a fizeram feliz. Para o Santiago foi um abre olhos de finalmente aceitar as cicatrizes físicas e emocionais que a mulher tanto tentava esconder.

Uma história marcada por um passado de violência que transfere uma pesada carga de mágoas e desespero para o presente e para alguém que acha que vai ser uma história de amores reencontrados, desengane-se. Ficámos na incerteza quase até ao último momento do que poderá acontecer.

Esta semana será ainda publicada a entrevista à autora da obra, Carina Rosa. Fiquem atentos!

Citações:

"O amor não pode ser ensinado. Ou existe ou não existe."

"Às vezes, amar é deixar voar."

Classificação: 4*

Opinião Livro

Ask The Passengers, A. S. King



Título Original: Ask The Passengers
Autor: A. S. King
Editora: Little, Brown
Género: YA
Páginas: 209
Ano Publicação: 2012

Sinopse

Astrid Jones desperately wants to confide in someone, but her mother's pushiness and her father's lack of interest tell her they're the last people she can trust. Instead, Astrid spends hours lying on the backyard picnic table watching airplanes fly overhead. She doesn't know the passengers inside, but they're the only people who won't judge her when she asks them her most personal questions--like what it means that she's falling in love with a girl.

As her secret relationship becomes more intense and her friends demand answers, Astrid has nowhere left to turn. She can't share the truth with anyone except the people at thirty thousand feet, and they don't even know she's there. But little does Astrid know just how much even the tiniest connection will affect these strangers' lives--and her own--for the better.

In this truly original portrayal of a girl struggling to break free of society's definitions, Printz Honor author A.S. King asks readers to question everything--and offers hope to those who will never stop seeking real love.


Já há algum tempo que tinha alguma curiosidade em ler A.S. King, pois os seus livros são bastante adorados na blogosfera. E tendo lido muito poucos que abordam questões como a homossexualidade, resolvi experimentar este. 
A verdade é que tive sérias dificuldades de entrar na história, mas assim que o terminei foi quando consegui digeri-lo melhor.

Astrid é uma alma solitária que adora deitar-se ao relento e ver os aviões passarem no céu distante e falar com os passageiros. A maneira que adoptou para conseguir lidar com frustrações, tristezas, alegrias e segredos, é declarar o seu amor aos passageiros do avião que avista. Ao expor os seus problemas espera que alguém consegui receber o seu amor nas alturas para saber que não está sozinho/a. Todos enfrentamos dificuldades e são várias as questões que nos interrogamos e assim Astrid, sem conseguir desabafar com a família ou os amigos, fala com quem está naquele vôo.

Os segredos fazem parte de cada um de nós, um piores do que outros, a verdade é que todos nós os temos. Só que esta história está rodeada de tantos segredos que no fundo me pergunto para quê. Inicialmente andamos em volta do segredo dos amigos de Astrid, que guarda a sete chaves, até que chegamos ao da própria Astrid. Conclusão, o segredo é o mesmo, não percebo o porquê de tanto alarido para querer escondê-lo, ainda por cima, quando são melhores amigas.

Porém o livro consegue ganhar outro ânimo quando Astrid se consegue libertar das amarras que a estão até então a prender. Mostra que, muitas vezes, não são os de fora que dificultam as coisas, mas somos nós próprios, tanto por não sabermos exactamente o que queremos ou o que somos, como na importância que imprimimos nas expectativas dos outros. Mas no fundo quem tem de ser e estar feliz, somos nós, e levantar sempre a cabeça quando sabemos que não devemos nada aos outros, e neste ponto o livro conseguiu exprimir-se bem.

Outro ponto que só consegui apreciar quando acabei a leitura foi, ao focar-me na solidão e nas questões que assombram a mente de Astrid é fácil perceber que o ser humano, seja qual a idade que tenha ou em que contexto está inserido, tem constantemente dúvidas e incertezas, mas é na capacidade de aceitar o presente e lutar por um futuro mais risonho, que conseguimos suportar o que nos tenta deitar abaixo.

Com um ritmo que demora a acelerar e a cativar, a leitura em si não me prendeu satisfatoriamente, mas quando terminei e abordei certos passos dados, gostei do caminho que tomou e na mensagem que incidiu. Por isso venham mais leituras de A.S. King.

Citações:

“All those people who are chained here thinking that their reputations matter and this little shit matters are so freaking shortsighted. Dude, what matters is that you're happy. What matters is your future. What matters is that we get out of here in one piece. What matters is finding the truth of our own lives, not caring about what other people think is the truth of us.”  

“Look, this is a loan. I don't know if love is something I will run out of one day. I don't know if I should be giving it all to you guys or not. Today, I feel like maybe I should have kept some for myself for days when no one else loves me.” 

“I place us where we are a happy couple who are madly in love, and we are kissing the way people kiss on their wedding day. With joy and relief and love. Without guilt. Without Shame.”

Classificação: 4 de 5*


Opinião Livro

Willing Captive, Belle Aurora



Título Original: Willing Captive
Autor: Belle Aurora
Género: NA
Páginas: 199
Ano Publicação: 2013

Sinopse

Delilah “Lily” Flynn is used to her drab existence. Lily’s been living it for twenty two years.
Her boring life is suddenly turned on its head when she’s rudely kidnapped from her bedroom.
Or so she thinks.

Nox Taylor is far too high up in his field to be assigned a babysitting job.
There’s nothing more he wants than to complete his mission so he can be rid of the smartass tomboy, Lily.

Day after day, Nox watches Lily and her strange ways. She’s unlike any woman he’s ever met.
Getting close to the girl is purely for her own protection…right?

Lily never imagined she’d make her first real friends in captivity.
What lengths would she go through to keep them?


Quando lemos a sinopse no Goodread ficamos logo a saber que não estamos perante um romance negro e quando navegamos por ele não está em nada ligado ao BDSM, como pode sugerir a capa. 
Foi mesmo uma grande surpresa esta leitura que alia humor a temas como o rapto, porém só lendo é que ficamos a perceber que nada é o que parece.

Lily sempre viveu bem com o lado super protetor do pai, um empresário que ao longo dos anos conquistou uma farta fortuna. O que gosta mesmo é de estar no seu quarto, o único sítio que consegue transportá-la para os mundos que os livros lhe apresentam. Bem diferente da irmã Terah que gosta de sair à socapa para festas. Só que na noite em que irmã tenta sair pela janela deixando-a a ler um livro, são ambas raptadas.

Mas este rapto tem muito que se lhe diga: foi o pai que planeou tudo para que a ameaça de matar Lily, seja finalmente desvendada. Por isso confia as filhas a seguranças privados, mas elas têm de estar separadas e ninguém pode saber do rasto delas. 
É aqui que entra Nox, o rapaz que tem de proteger e vigiar Lily, como se a sua vida depende-se disso.

Nox tem mesmo um caso bicudo à sua frente. Lily não se cala, quer saber tudo, quer falar com a família, e quer conseguir acreditar naquele rapaz. Mesmo com a simpatia de Boo e o humor espontâneo de Rocky, Lily tem sérias dificuldades em gostar de Nox. E este não nutre particular simpatia por ela. 
Mas da irritabilidade ao amor é um passo, e quando se vêem na iminência de lutarem pelo que sente, são traídos pelos inimigos.

É graças a Nox que Lily aprende o valor da vida e passa a perceber que não pode continuar a só existir. Tem de sair da sua zona de conforto e conquistar o mundo tem para lhe oferecer. Gostei desta personagem é genuína, sarcástica e confortável consigo mesma, enquanto Nox é reservado, parco em palavras e sincero. E paciente, pois para aturar tanto choro da rapariga, é preciso sê-lo. 
Conjugam bem num romance que vai crescendo, entre situações hilariantes e inocentes, para o momento que dita a reviravolta.

Entreguei-me completamente às cegas nesta leitura e fiquei tão surpreendida, não estava mesmo à espera que o factor surpresa fosse a grande conquista deste livro. Duas personagens que não tiveram qualquer dificuldade em admitir o que estava mesmo ali à acontecer, perceberam que gostavam um do outro, quiseram lutar por isso e não fizeram nenhum drama à volta disso, enquanto envolvidos numa situação bem estranha. Mesmo a profissão de Nox podia ser usada como desculpa para dificultar o namoro, não o vi por um momento, reticente ao que sentia e ao que devia lutar. E a parte final foi de partir o coração mas foi tão genuíno e tocante que valeu novamente pela surpresa. E graças a esse amor que nasceu de carinho e respeito, que o final teve aquela beleza.

Não devemos levar à letra as sinopses nem as capas dos livros, pois se assim fosse, teria perdido uma história divertida e encantadora. Bella Aurora conquistou-me com a série Friend-Zoned e com este veio confirmar e cimentar um lugar nos meus autores preferidos.

Citações:

“Most content People don't have the best of everything. They just make the best of everything they've got.”  

“Words hold power. They can bring you from the lowest low to an ultimate high in a matter of moments, and just the opposite, too”

“That one person everyone looks for. They search and search, and some die trying to find ‘em. And when you finally meet them, something inside of you says “Oh, there you are. I’ve been looking for you. And I didn’t even know it.” 

Classificação: 4 de 5*

Opinião Livro

Scarlet, Marissa Meyer



Título Original: Scarlet
Autor: Marissa Meyer
Editora: Puffin Books
Género: Distopia
Série: The Lunar Chronicles #2
Páginas: 452
Ano Publicação: 2013

Sinopse

Cinder, the cyborg mechanic, returns in the second thrilling installment of the bestselling Lunar Chronicles. She's trying to break out of prison--even though if she succeeds, she'll be the Commonwealth's most wanted fugitive. Halfway around the world, Scarlet Benoit's grandmother is missing. It turns out there are many things Scarlet doesn't know about her grandmother or the grave danger she has lived in her whole life. When Scarlet encounters Wolf, a street fighter who may have information as to her grandmother's whereabouts, she is loath to trust this stranger, but is inexplicably drawn to him, and he to her. As Scarlet and Wolf unravel one mystery, they encounter another when they meet Cinder. Now, all of them must stay one step ahead of the vicious Lunar Queen Levana, who will do anything for the handsome Prince Kai to become her husband, her king, her prisoner.

A continuação da série Crónicas Lunares apresenta-nos mais uma personagem do mundo de fantasia que nos é dado a conhecer quando somos mais novos: a Capuchinho Vermelho.  
 Marissa Meyer continua assim a explorar personagens, que encantam crianças e adultos, em versões bem alternativas.

Em França é nos dada a conhecer Scarlet Benoit, uma jovem de 18 anos, que está completamente desesperada pelo desaparecimento da sua avó. Sentindo-se sem chão depois de ver a inactividade da polícia sobre o desaparecimento da mulher que cuidou de si desde que o pai a abandonou, pensa em alternativas para conseguir encontrar a sua avó. Mas não esperava que um estranho e inquietante rapaz pudesse ter algumas respostas e maneira de saber onde está a sua familiar.

Só que no meio das buscas descobre que a sua avó não era bem quem pensava e que são vários os segredos que sempre escondeu. Apesar de não confiar a 100% em Wolf, deixa-se levar pelos seus instintos animais e conseguem chegar ao local que será a derradeira surpresa para Scarlet. Conseguirá voltar a confiar em quem sempre cuidou de si e agora confiar naquele rapaz que a ajudou a descobrir as verdades?

Paralelamente vamos conhecendo Scarlet e continuando com Cinder. Esta tenta arranjar maneira de fugir da prisão e de não ser entregue à Rainha Levana, só não contava ter de levar consigo o "Capitão" Thorne. Juntos consegue causar o caos mas finalmente alcançam o seu objectivo: resgatar Scarlet.

Sendo esta uma continuação pensava gostar mais de ler as partes da Cinder, mas para dizer a verdade ela foi a personagem que mais me irritou. 
A ideia de não querer usar o seu poder mas saber que é a sua única maneira de poder fugir e escapar ilesa, deixa um pouco a desejar. Podia notar-se que ainda não está completamente confortável com aquela decisão, mas não é preciso estar sempre a dar a ideia de tem um coração tão bom que não faz mal a ninguém. Porque se ela se quer safar é claro que tem de usar o seu dom, não há mal nenhum nisso. E depois para alguém que gosta tanto de ajudar, e notou-se uma certa simpatia no livro anterior, não a senti nada receptiva e calorosa neste, até tive pena do Thorne.

Contudo notou-se que a autora quis dar mais acção e frenesim à narrativa, tanto com as fugas de Cinder e Thorne, como com a construção que faz da personagem Scarlet, sempre em alerta e pronta para a o ataque, juntando-a ao predador Alpha Wolf. Sendo este a surpresa da história, pelas suas atitudes inesperadas. Outro aspecto engraçado é que a Scarlet lembrou-me a Red, personagem da série Once Upon a Time, talvez a autora se tenha inspirado por lá.

Não foi uma leitura fantástica mas conseguiu desenvolver a continuação ao pegar nas pontas soltas do primeiro livro da série Crónicas Lunares. Aos pontos de vistas de Cinder e Príncipe Kai, junta-se Scarlet e Wolf. É fácil perceber a interligação entre as várias personagens pois Marissa Meyer, não deixou escapar nenhum detalhe, mesmo que estas estejam espalhadas pelos vários pontos do globo. Talvez o meu único senão é a ideia de querer construir personagens femininas ferozes que caiem no limbo de serem rudes e pouco humildes.

Citações:

“We met less than a week ago and in that time I've done nothing but lie and cheat and betray you. I know. But if you give me a chance...all I want is to protect you. To be near you. For as long as I'm able.”  

“I knew they would kill me when they found out, but…” He struggled for words, releasing a sharp breath. “I think I realized that I would rather die because I betrayed them, than live because I betrayed you.”


Classificação: 4 de 5*

Opinião Livro

Down London Road, Samantha Young


Título em Português: Tatuado em Mim
Autor: Samantha Young
Editora: Penguin
Género: NA
Série: On Dublin Street #2
Páginas: 370
Ano Publicação: 2013

Sinopse

Johanna Walker is used to taking charge. But she’s about to meet someone who will make her lose control...

It has always been up to Johanna to care for her family, particularly her younger brother, Cole. With an absent father and a useless mother, she’s been making decisions based on what’s best for Cole for as long as she can remember. She even determines what men to date by how much they can provide for her brother and her, not on whatever sparks may—or may not—fly.

But with Cameron MacCabe, the attraction is undeniable. The sexy new bartender at work gives her butterflies every time she looks at him. And for once, Jo is tempted to put her needs first. Cam is just as obsessed with getting to know Jo, but her walls are too solid to let him get close enough to even try.

Then Cam moves into the flat below Jo’s, and their blistering connection becomes impossible to ignore. Especially since Cam is determined to uncover all of Jo’s secrets... even if it means taking apart her defenses piece by piece.




Depois de iniciado viagem com o homónimo da série, On Dublin Street, quis continuar a aventura, não tanto porque tenha ficado satisfeita com o primeiro, mas mais pela curiosidade que tenho em acompanhar personagens que nos são dadas a conhecer nos primeiros volumes.

Quem inicia este romance fica bastante frustrado com o andamento da narrativa, e também é certo que nada dê pelo final. Pois mais tenho a dizer que bastou os protagonistas resolverem questões que era imperativo solucionarem, para que tudo entre no caminho certo.

Johanna Walker é-nos dada a conhecer por trabalhar num bar com Jocelyn, a protagonista do primeiro volume. Se ficamos com a ideia que é bonita, sexy e que adora andar atrás de homens com dinheiro, neste continuamos com essa mesma ideia, que é fútil e interesseira. Todavia as suas motivações não são as que dá à primeira vista, pois o seu único objectivo é conseguir arranjar alguém com posses, que porventura se venha a apaixonar, e que consiga lidar com a sua bagagem: Cole, o irmão mais novo e a mãe alcoólica.


Quando entra em cena Cameron MacCabe, com o seu ar arrogante cheio de tatuagens, vira do avesso a imagem idealizada de felicidade e sustento que Jo pretendia para si e a sua família. Mas será ele a atravessar a linha que Jo mantém para afastar a vida social da vida privada, quando se torna seu vizinho e colega de trabalho. A partir daí, depois de perceber as verdadeiras razões de Jo, Cam passa a vê-la e a tratá-la de outra forma, até que esta caia na teia que começa a traçar.

Este livro foi interessante pois pega na ideia dos juízos pré-concebidos que fazemos uns dos outros. E que muitas vezes são infundados. 
Quis tanto criticar este ponto no início da leitura, que não me apercebi que, muitas são as vezes que, mostramos aos outros a imagem que queremos que eles vejam de nós, por isso é normal criarmos uma ideia da maneira de ser do outro completamente diferente da verdadeira. E estas personagens não são excepção, têm problemas de percepção um do outro no início, porém assim que começam a conhecer os segredos e recantos escondidos que ambos têm, percebem que tudo não é preto e branco.


E quando alguém nos conhece verdadeiramente, será muitas vezes essa pessoa o factor motivacional para conseguir puxar a auto-estima para cima. Basta que haja esperança e confiança que tudo melhora e que somos capazes de lutar. E é a entrada destas pessoas na nossa vida que nos fazem abrir os olhos que afinal há outros caminhos a seguir e outras possibilidades. E é isto que Cam proporciona a Jo quando esta permite a entrada na sua vida pessoal.

Apesar de um início tremido, achei melhor este que o 1º da série. Há um bom equilíbrio entre o que está mal e o que está bem e as personagens Jo e Cam têm uma sintonia perfeita. Com um pouco de drama à mistura, não podia ter ficado mais do que satisfeita com o final escolhido por Samantha Young.

Citações:

“You know, the world will always try to make you into who it wants you to be. People, time, events, they’ll all try to carve away at you and make you think you don’t know who you are. But it doesn’t matter who they try to make you, or what name they try to give you. If you stay true, you can chip off all their machinations and you’re still you underneath it all.”  

“People can be … well, they can be wonderful. And sometimes, unfortunately, they can be monsters we hide from inside our homes. We worry that those monsters will find their way inside. We’re not supposed to fear that they already are inside. Your mom and dad are supposed to protect you from that. They’re not supposed to be the monster.” 

“I guess that’s the problem when you really get to know someone. You learn all their triggers and emotional buttons, and unfortunately, in times of war, you press them.” 

Classificação: 4 de 5*
 

 
 

Opinião Livro

Misery, Stephen King



Título Original: Misery
Autor: Stephen King
Editora: 11x17
Género: Thriller
Páginas: 480
Ano Publicação PT: 2013

Sinopse

Paul Sheldon é um famoso escritor de romances cor-de-rosa, tornado célebre pela personagem principal das suas obras, Misery Chastain. Porém, Sheldon entendeu que estava na hora de virar a página e decidiu «matar» Misery. É então que sofre um terrível acidente de viação e é socorrido por Annie Wilkes, uma ex-enfermeira que o leva para sua casa para o tratar. O que Paul não sabe é que Annie, a sua salvadora, é também a sua maior fã, a mais fanática e obcecada de todas — e está furiosa com a morte de Misery. Ferido e incapaz de andar, totalmente à mercê de Annie, Paul é obrigado a escrever um novo livro para «ressuscitar» Misery, como uma Xerazade dos tempos modernos nas mãos de uma psicopata tresloucada que há muito deixou de distinguir a realidade da ficção. Repleto de complexos jogos psicológicos entre refém e captor, "Misery" é uma obra de suspense e terror no seu estado mais puro.



Stephen King é famosíssimo mas nunca me tinha sentido tentada a ler nada seu. Tinha uma ligeira curiosidade e quando me apanhei a jeito na vontade de me perder pelos seus mundos de suspense, iniciei a leitura de Misery.


Misery tanto significa a personagem criada por Paul Sheldon, escritor famoso de romances históricos, como para descrever a temporada que este escritor passa em casa da sua fã n.º 1. Pelo nome dá para perceber que não irá ser uma temporada agradável: gravemente ferido, Paul, vive constantemente entre o sobressalto e o terror das flutuações de humor da sua querida anfitriã Annie.

No início senti-me um pouco perdida nas alucinações que a personagem Paul vai tendo, devido à forte medicação que Annie lhe dá para as dores, pois são ainda poucas as indicações que temos do que realmente se passa. Mas depois de entrar no rumo de como aquele homem famoso foi ali parar, e assim que, Annie mostra as suas garras, é impossível não ficar com vontade de descobrir como é que tudo vai terminar. Paul Sheldon para além de se encontrar num local remoto cheio de neve e sem vizinhos, precisa de usar uma cadeira de rodas para se deslocar, assim como, precisar dos medicamentos para conseguir “funcionar” tanto ao nível físico como mental, e a sua querida fã adora fazê-lo desesperar pelos comprimidos milagrosos. E são estes aspectos que nos fazem ansiar pelo desfecho que se apresenta pouco favorável para Paul.


É uma constante batalha entre não querer provocar e querer domesticar Annie, contudo esta mostra-se muito mais esperta e sabida do que aquilo que Paul imagina. E acho que é este o trunfo do livro: ao nos apresentar uma personagem solitária, de aparência pouco atraente e cuidada, de temperamento volúvel, cria-se a imagem de uma maluquinha. Sei que é uma palavra que em nada traduz o que ela representa, mas o que quero dizer, é que dá a ideia que Annie não deve muito à inteligência, mas afinal revela-se bem mais astuta e manhosa que uma raposa.


Stephen King conseguiu convencer-me a querer descobrir mais das sua vasta obra. Tem um humor negro muito interessante e a construção psicológica das suas personagens está fantástica. Se por um lado vemos um homem a lutar diariamente para se manter vivo, apesar de sentir-se num beco sem saída, por outro vemos uma mulher que é capaz de tudo para se sentir satisfeita mas sem nunca dar parte fraca que é a culpada. Achei-a incrível e a maneira de pagar na mesma moeda a quem nos faz sofrer, é uma boa lição, pois como se diz “cá se fazem, cá se pagam.” Vive-se numa constante tensão e angústia juntamente com Paul.

Este livro satisfez-me mais do que aquilo que imaginava, contudo não lhe dei mais pontuação, pois é um género que ao misturar terror psicológico com chacina, ainda não me sinto confortável para avaliar sem ter lido mais do mesmo tipo. Como quero descobrir mais livros de suspense, thriller ou horror, então só a partir daí poderei fazer comparações, e assim, avaliá-lo de outra maneira.
 
Classificação: 4 de 5*