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Opinião Livro

Espera Por Mim, Gayle Forman


Título Original: Where She Went
Autor: Gayle Forman
Editora: Editorial Presença
Género: Young-Adult
Colecção: Noites Claras
Ano Publicação PT: 2013
Páginas: 216
ISBN: 9789722350907

Sinopse

Passaram três anos desde que o amor de Adam ajudou Mia a recuperar após o trágico acidente que vitimou a sua família - e três anos desde que Mia decidiu afastá-lo da sua vida sem lhe dar explicações. Quando uma noite os seus caminhos se cruzam na cidade de Nova Iorque, ambos têm a oportunidade de se confrontar com os fantasmas do passado e de abrir o coração ao futuro. Mas conseguirão perdoar-se um ao outro antes de cada um ter de regressar à vida tal como a deixaram?

Opinião de Se Eu Ficar - 1º livro (aqui)

Nem sei bem como começar esta opinião.
Não sei se é o espírito natalício ou qualquer outra coisa, mas caramba este livrinho fez-me doer tanto o coração e houve uma altura que não aguentei mais e tive de chorar. Aviso que nem é uma coisa normal em mim, posso me emocionar, mas chorar como chorei com este, são muito poucos os que tiveram esse efeito.

Passados três anos desde que houve o acidente que vitimou a família de Mia e desde a partida desta para Nova Iorque, a vida de Adam mudou radicalmente.
Actualmente é uma estrela mundialmente famosa, dá concertos pelo mundo fora com a banda de adolescência os Shooting Star, vive em Los Angeles e namora com uma das actrizes do momento. Mas com uma vida que muitos sonham ser o ideal a atingir o que pode correr mal?!

A insatisfação pessoal pode arruinar uma pessoa, mesmo que esta tenha tudo ao seu alcance.
O ambiente na banda já teve melhor dias e agora até em hotéis diferentes ficam para não haver confusões. A relação com Bryn está cada vez mais degradada e a má reputação persegue-o com os jornalistas. Os concertos deixaram de ter a mesma aura, a paixão pela música também sofre. E quando nos apercebemos de que toda aquela frustração pelo rumo da sua vida tem unicamente uma resposta, sentimos que não há nada que ele possa fazer. Ou se calhar há, basta assistir a um concerto de uma jovem violoncelista que actua no famoso Carnegie Hall.

Três anos não é uma eternidade para retomar o que ficou em aberto, para lutar contra todos os contratempos que a vida nos coloca no caminho. Essas vicissitudes modificaram ambos, cresceram mais rápido que muitos da idade deles, tiveram que aprender a viver separados um do outro e a lutar para encontrar coragem para um futuro melhor. Viver um dia de cada vez parece ser a premissa de ambos, se Mia luta contra o amor vs ódio, Adam luta contra o vazio emocional. Mia entregou-se à música para substituir as lacunas das pessoas mais importantes para si, Adam entregou-se à música para lidar com a raiva e o abandono de quem achava ser tudo para ele. Só que Mia consegui encontrar aí forças para lidar com o dia-à-dia enquanto ele entrou numa espiral de pressões e stresse que a autora caracterizou brilhantemente. Quantos de nós não pensamos que os famosos tem vidas perfeitas e conseguem lidar com tudo desde os fãs, os media, a vida profissional e ainda a vida pessoal?! Não conseguimos estar realmente na pele deles e pensar que eles fazem realmente aqui que amam mas que talvez não consigam lidar com o batalhão de coisas que acarreta a profissão. São várias as descrições de um completo colapso por parte de Adam que deu uma perspectiva diferente do que é ser uma figura pública.

Gostei bastante de desta vez o livro ser narrado por outra personagem, que neste caso, era o ex-namorado. Quem está por fora dá sempre outra perspectiva ao que se passava, dá a voz ao que precisa de ser dito e lembrado. E que muitas vezes se sente impotente perante a dificuldade em ajudar quem não quer se ajudado ou que tem dificuldades em aceitar a ajuda dos outros. Por isso, em alguns momentos pensei que a Mia era realmente uma rapariga teimosa contudo acabei por perceber as suas motivações.
Fiquei de coração apertado quando pensei que o final que ansiava não ia acontecer porque a autora descreve os acontecimentos de uma tal maneira que tive quase a certeza que o fim seria diferente do desejado, mas qual não é o meu espanto e aflição que tudo se compõe de uma forma encantadora. Tomara que muitos reencontros tivessem o mesmo fim que este teve numa noite/dia. Foi a música que os uniu e foi a música que os fez reencontrarem-se.

Só aquela capa é que estraga as coisas. Duvido muito que na mente de muitos leitores o Adam tenha aquela aparência tão certinha. E depois apesar de até estar um jovem casal agarrado e enternecido, para mim é mesmo um capa sem sal nenhum. Só gosto de ver Nova Iorque ali :)

Gayle Forman realmente não desilude, e aprecio a forma como em ambos os livros nos faz perder a esperança mas depois dá sempre a volta por cima ao assunto e coloca a cereja em cima do bolo. Lesse num ápice, entristece mas acalenta qualquer coração. Leiam, porque quem é que não gosta de finais felizes?!

Citações:

"Encontrava-me demasiado ocupado a olhar para o fogo a que acabara de escapar para prestar atenção à escarpa de trezentos metros de altura que se avultava ameaçadoramente dentro de mim."

"As boas intenções das pessoas podem acabar por nos colocar dentro de compartimentos tão restritivos quanto caixões."

"Precisava de odiar alguém,e tu foste aquele que mais amei, por isso, calhou-te em sorte."
 
Classificação: 5 de 5*


One Song From a Book

Se Eu Ficar, Gayle Forman


Esta música, no livro, traduz a forma mais simples de um amigo ajudar outro a não desistir dos seus sonhos e a lutar por eles.

 «Something in the Way» - Nirvana MTV Unplugged

 

 


Opinião Livro

Se Eu Ficar, Gayle Forman

 

Título Original: If I Stay
Autor: Gayle Forman
Editora: Editorial Presença
Páginas: 216
ISBN: 9789722343183


Sinopse

Naquela manhã de Fevereiro, quando Mia, uma adolescente de dezassete anos, acorda, as suas preocupações giram à volta de decisões normais para uma rapariga da sua idade. É então que ela e a família resolvem ir dar um passeio de carro depois do pequeno-almoço e, numa questão de segundos, um grave acidente rouba-lhe todas as escolhas. Nas vinte e quatro horas que se seguem, Mia, em estado de coma, relembra a sua vida, pesa o que é verdadeiramente importante e, confrontada com o que faz com que valha mesmo a pena viver, tem de tomar a decisão mais difícil de todas.



Como um pequeno livro pode ser tão bom.
Este livro conta a história de Mia, uma adolescente de 17 anos, que tem uma vida praticamente normal. Vive com os seus pais e com o seu pequeno irmão, Teddy. Tem um namorado, Adam, e uma melhor amiga que adora, Kim. Mas a sua maior paixão é o violoncelo. E num dia normal de semana no Oregon começa a nevar. Isto faz com que as escolas sejam encerradas, e por isso, a família de Mia decide fazer um passeio. Até aqui tudo bem, porém o passeio nunca se realiza pois acabam por sofrer um acidente. Mia acorda à beira da estrada e sente-se bem, mas quando começa a ter percepção do que se passou, vê a mãe já morta e o pai. Quando vislumbra uma mão na berma da estrada pensa que é o irmão. Ao aproximar-se percebe que afinal é o seu próprio corpo que está ali a esvair-se em sangue. Enquanto tudo isto ocorre a Sonata n.º 3 para Violoncelo de Beethoven continua a tocar. Ou seja, a Mia vai assistir de fora do seu corpo, durante 24 horas, ao que se passa em torno de si. E vai decidir o que fazer com a sua “forma de vida.”


No decorrer do livro, Mia vai nos mostrando pormenores sobre a sua família, a sua relação com Adam, ou a forma como Kim passou a ser a sua melhor amiga, e ainda como começou a desenvolver interesse num instrumento musical tão solitário, como o violoncelo. É num momento delicado que ela passa em revista as memórias mais engraçadas, emotivas e decisivas pôr que passou até chegar àquele ponto. Há tantas personagens secundárias importantes. Willow, a amiga dos pais e enfermeira, que é determinada e assume o controlo da situação. Ou a enfermeira Ramirez, que diz que ela consegue ouvir tudo, e que só ela tem o poder de ditar as regras. Mas há as mais importantes da vida de Mia.


Adorei os pais dela. O que me ri sempre que tentava visualizá-los. O pai, um rebelde com o cabelo oxigenado e roupa de cabedal, que trabalhava numa loja de discos e tocava bateria numa banda, mas que decide tornar-se um homenzinho quando finalmente nasce Teddy. Tira a carta de condução e passa a ser um professor que usa laços e fuma cachimbo. A mãe que é a durona da família, sempre com a resposta na ponta da língua, mas com a sabedoria necessária para aconselhar a filha. E Kim, que aconselha Mia a ir para um acampamento de músicos e a não desistir do violoncelo. Ou o avô que mesmo sem dizer nada consegue dizer tudo. E quando fala, a tranquiliza que está tudo bem e que compreende se ela quiser partir. Já a relação com Adam surge através da música. Quando acontece o acidente, ambos andam a tentar perceber como irá crescer a relação. A banda dele está em ascensão, já Mia prepara-se para saber se entrou na Juilliard e se terá de ir viver para Nova Iorque. 


Mais do que um livro que alia a música aos sentimentos das pessoas, leva a pensar no que faríamos se estivéssemos na sua posição. Será que seria mais fácil partir, ou viver com os destroços dos que foram e lutar pelo desconhecido da vida? Não é fácil decidir. Mostra quando sentimos que temos de tomar a decisão correcta, a decisão mais difícil de todas, apesar do que se terá que abdicar. Todavia, e no meio de todas aquelas lembranças e palavras daqueles que ama, o som do violoncelo e a mão de Adam que aperta a sua, faz com que queira transferir toda a sua força e mais alguma para que, também Adam, sinta que ela a aperta. É este o momento que ela esperava?! 

Citações:


“Nunca conheci ninguém que se envolvesse tanto com a música como tu…Eu sou obcecado por música e nem eu me sinto tão transportado como vejo que tu és.”
“As pessoas acreditam naquilo em que querem acreditar.”

“Não duvidem nem por um segundo de que ela consegue ouvir-vos. Ela percebe tudo o que se está a passar. Podem achar que são os médicos, ou as enfermeiras, ou estas traquitanas, que ditam as regras. Nem pensar. Ela é que dita as regras. Talvez esteja apenas à espera do momento propício. Por isso falem com ela. Digam-lhe para levar o tempo que precisar, mas para voltar. Digam-lhe que estão à espera dela.”

“Mas essa pessoa que foste hoje é a mesma por quem estava apaixonado ontem; a mesma por quem irei estar apaixonado amanhã.”

“Não sei ao certo o que se passou comigo e, pela primeira vez hoje, não me interessa. Eu não devia ter de me interessar. Não devia ter de esforçar-me tanto. Percebo agora que morrer é fácil. É viver que é difícil.”


Classificação: 5 de 5*