Clube de Cinema - 1 Filme por Mês: Março
Como em Março celebra-se o Dia Internacional da Mulher nada melhor do que celebrar o mês com um filme dedicado a uma Mulher, The Young Victoria.
A Jovem Vitória é um filme de 2009 realizado por Jean-Marc Vallée que conta nos principais papéis com Emily Blunt (Rainha Vitória) e Rupert Friend (Príncipe Alberto).
Este filme aborda o início do reinado de Vitória que coincidiu com o casamento com Alberto de Saxe-Coburgo-Gota.
Em 1837, Vitória com 17 anos quase é obrigada pela mãe, a Duquesa de Kent e pelo seu conselheiro Conroy a assinar um documento de regência, de maneira a dar o poder temporário a estes, enquanto não atinge a maioridade. Esse medo é tão grande, que o próprio Rei Guilherme IV, tem receio de morrer sabendo que a sobrinha pode dar o poder à mãe.
O objectivo de poder obter o poder real é tão cobiçado, que Vitória sofre várias influências externas, mas com paciência e mérito de não se influenciar, acaba por adquirir o lugar de destaque, o de Rainha.
Enquanto anda nestes jogos de poder conhece o primo direito Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, entre troca de cartas e encontros, vão se conhecendo e trocando impressões sobre os problemas que preocupam ou deviam preocupar uma rainha em início de reinado.
Alberto lá consegue chegar até Vitória que o pede em casamento. Depois de viverem um início de casamento cor-de-rosa os problemas começam a surgir quando Alberto é visto como mais um à volta da rainha, mas felizmente certos acontecimentos serviram para que Vitória aceite e confie finalmente nas palavras e ideias do marido.
Foi interessante acompanhar esta história para perceber que afinal existiram contos de fadas tornados realidade. Vitória, não só casou com o homem por quem se apaixonou como conseguiu viver feliz com o pai dos seus 9 filhos. Numa altura em que os interesses estavam acima de tudo e que os casamentos de conveniência era escolhidos a dedo, Vitória e Alberto, apesar de inicialmente se notar que ele era um peão num jogo de interesses, estiveram casados durante 20 anos. A Rainha passou não só a confiar na palavra e na ajuda do marido, como ele foi um grande marco nas mudanças que o Reino Unido sofreu.
Um filme que constou na nomeações aos Óscares de 2010 e ganhou na categoria de Melhor Guarda Roupa.
A minha opinião não só contem aspectos do filme como algumas curiosidades que fui pesquisar depois de o ver. Achei tão interessante saber que afinal naqueles tempos nasciam amores verdadeiros, mesmo na posição social que Vitória estava.
Ela soube gerir a sua vida, em quase todos os momentos, consoante a sua vontade e não a dos outros. E isso é de louvar, tendo em conta o seu poder e papel, volto a destacar que não deve ser fácil não se deixar influenciar.
Vejam também a opinião das minhas parceiras: Silvana do Por detrás das palavras e Catarina Sonhar de olhos abertos.
Clube de Cinema - 1 Filme por Mês: Fevereiro
Eu e as minhas companheiras, Catarina do Sonhar de olhos abertos e a Silvana do Por detrás das palavras, já vimos um bocadinho atrasadas na publicação das opiniões sobre o filme escolhido de Fevereiro. Mas nunca é tarde.
O tema é escolhido foi História Verídica e o contemplado foi My Left Foot: The Story of Christy Brown.
Este filme conta a história verídica de Christy Brown, que nasceu com paralisia cerebral, em 1932.
O Meu Pé Esquerdo de 1989 é realizado por Jim Sheridan
e baseado na autobiografia lançada por Brown quando ainda tinha 22 anos.
Interpretado por Daniel Day-Lewis, que lhe valeu a nomeação,
e consequentemente, a atribuição do seu primeiro Óscar como Melhor Actor, assim
como o Óscar de Melhor Actriz Secundária a Brenda Flicker, que interpreta a mãe
de Christy, Mrs. Brown. Com dois Óscares atribuídos, só três acabaram por lhe
fugir, entre eles, o de Melhor Filme. Mas não foi só nos prémios que obteve o devido reconhecimento mas também junto dos críticos e do grande público, em 1989.
Filho de uma família humilde irlandesa, Christy Brown nasce
com sérias dificuldades motoras. Mesmo com as suas limitações, o pé esquerdo
foi o único membro que conseguia mexer, e com prática começou a ganhar
habilidade para escrever e pintar. Numa altura em que era complicado gerir uma
deficiência motora de um filho, Mrs. Brown sempre fez de tudo para proporcionar
uma boa vida ao seu filho. Desde cedo e com tantos filhos, tentou juntar
dinheiro para conseguir comprar uma cadeira de rodas para que o Christy não
vivesse mais limitado.
As cenas iniciais mostram Christy já adulto como convidado de uma plateia para dar a conhecer o seu exemplo de coragem e entrega à sua paixão, a pintura. Porém é só quando a enfermeira Mary entra em cena que através da leitura que esta faz à autobiografia, que começamos acompanhar o crescimento e evolução da vida de Brown.
Vemos a dificuldade de uma criança que tentar comunicar com a
família e em lidar e ajudar os outros. Já em adulto tentou adaptar-se a uma
clínica para pessoas com deficiências porém não conseguiu ambientar-se.
A doutora Eileen, que o colocou na clínica, nunca desistiu dele e vemos que, mesmo em alguns momentos desespero, Christy consegue dar a volta por cima e começa a
pronunciar as palavras e a mexer-se melhor.
Se tenho de elogiar o trabalho de Daniel Day-Lewis e o merecido Óscar, pois é um papel que se nota a grande qualidade e grandiosidade como actor, não há mesmo a menor dúvida. Também tenho de escrever umas palavras sobre Hugh O'Connor (Christy em criança). Se já existe dificuldade em interpretar os maneirismos, expressões e movimentos para um adulto, quanto mais não deve ser para uma criança, mas felizmente foi tão bem interpretado, que não consegui deixar de acreditar na credibilidade do que estava a ver.
De salientar que apesar das dificuldades e de se notar claramente o nível de deficiência de Christy Brown, por opção ou não (não sei), o filme não coloca em destaque o preconceito. Nota-se que o pai tem dificuldade em aceitar o filho e que algumas algumas raparigas não lhe dão a devida atenção, mas nunca foi um ponto demasiado assente.
E que a diferença não é impedimento de grandes feitos e de viver uma vida a dois.
Se gostam de filmes baseados em factos verídicos e que
contenham uma história diferente do habitual que destaca a diferença, então
vejam mesmo este filme, pois vale bem a pena.
TOP M&S
5 Primeiros rituais do dia
[Um aparte: a verdade é que me tenho descuidado com o meu cantinho, muito por falta de vontade, de paciência e de tempo, mas quero ver se no próximo mês volto.]
Mais um mês mais um Top, deste vez um Top 5 dedicado às primeiras coisas que fazemos logo que acordamos.
Este é um top feito por mim e a Silvana do Por detrás das palavras.
1. Ronha
Adoro ficar uns preciosos minutos na cama depois do meu despertador humano me acordar. Acordo às 8.30 e mais ou menos até às 8.40 fico na cama (benefícios de viver ao pé do trabalho). Claro que depois é sempre a abrir....
2. Abrir a janela
Ao sair da cama abro logo ou os estores ou a janela para arejar o quarto.
3. Vestir
Como o tempo já começa a ser curto, é preciso ser rápida e não perder muito tempo a escolher a roupa. Que normalmente não demora muito.
4. Pegar nas minhas coisas
Depois como o quarto fica longe da cozinha, é tempo de pegar na mala, no pc, casaco ou qualquer outra coisa, para não ter de voltar ao quarto. Isto tudo já a 100 à hora...
5. Pôr perfume
Mas antes de deixar o quarto ainda tenho de colocar perfume. Adoro perfumes e quase nunca me esqueço de o colocar. E neste momento é o Lolita Lempicka.
Engraçado é que consigo fazer isto tudo antes mesmo de ter de ir fazer uma visitar à casa-de-banho.
Friday Finds
Friday Finds representa a amostra semanal dos livros que adicionamos à lista para ler (TBR), quer os tenhamos encontrado online, numa livraria ou biblioteca (não têm de ser necessariamente livros que adquirimos). Este é uma rubrica do Should Be Reading.
Estes são os meus "finds":
Depois de ter lido esta semana o Flat-Out Love da Jessica Park, quero continuar a série e fiquei com curiosidade noutro da autora
A curiosidade ficou espicaçada quando vi que estes são bastante elogiados
E porque quero terminar a série On Dublin Street
E as novidades
E a vocês quais os que vos chamam à atenção?
TOP M&S
O que odiamos quando andamos de transportes públicos?
Mais um mês. Mais um top.
Desta vez dedicado aos transportes públicos, e como já andei em vários, sei bem aquilo que não gosto nada quando penso neles.
Este mês o tema foi sugerido pela minha parceira do top, a Silvana, do Por detrás das palavras.
1. Ficar de pé
Não gosto nada. Então se tiver com malas e/ou sacos ainda fico mais danada. Gosto de poder pousar as minhas coisas, e depois se o motorista for daqueles que não tem muita atenção à velocidade e travagens, ainda é mais irritante tentar permanecer em pé.
2. Pessoas a falar alto
Quando estamos num transporte público não há nada mais enervante do que estar a ouvir a conversa do vizinho ou ao telemóvel ou com o vizinho do lado. Mas o que será que as pessoas pretendem com isso?! Que os outros sejam solidários com a temática da conversa ou apenas gostam de chamar a atenção?! Haja paciência...
3. Alguém a dar-me música
E aqueles seres irritantes ou bimbos que pensam que eu não tenho mais nada do que fazer do que ouvir a mesma música que eles. Falta de educação, então em Lisboa, é o prato do dia.
4. Pessoas que não se arredam nem por nada
Cada vez acho que vivemos num mundo de egoístas. Aquelas pessoas que podem ver que há alguém a entrar seja com um carrinho de bebé, malas de viagem ou mesmo sem nada, mas mesmo assim não arredam o pé do sítio onde estão. Estão com medo de quê?! Ao fazerem-nas mexer, deixam de ter lugar no transporte público por acaso?!
5. Cheiros
Pois é. (In)felizmente sou uma pessoa que tem um ofacto bem apurado. E é complicado quando está alguém ao pé de mim que não vê da mesma maneira que eu a casa de banho. Nem conhece desodorizantes, nem pastilhas, ou papel higiénico ou mesmo água (lavar o corpo e/ou roupa).
E sem querer queixar-me contudo a queixar-me, se queres comer uma sandes de chourição ou qualquer outra coisa que tenha um cheiro mais activo, pensa nos outros, come depressa e guarda o papel/saco longe, para não andar a pairar o cheiro no ar. Não te esqueças que pode haver sempre alguém que está mal disposto.
Próximo mês há mais!
Clube de Cinema - 1 Filme por Mês: Janeiro
O filme do mês de Janeiro tinha como tema Recomeços/Novas Oportunidades e a escolha recaiu sobre um filme de 1993, O Feitiço do Tempo, protagonizado por Bill Murray e Andy MacDowell, do realizador Harold Ramis.
Phil Connors (Bill Murray) é um repórter que tem mais uma vez a missão de testemunhar o Groundhog Day ou o Dia da Marmota. É uma época especial para a localidade de Punxsutawney porque a marmota da terra consegue adivinhar o tempo que fará nos próximos meses. E parece que desta vez ela dá uma previsão bem diferente daquela que o repórter Phil deu no espaço meteorológico.
Connor não vê a hora de sair daquela localidade e de deixar para trás o pessoal que o acompanha naquela aventura, mas quando tentam sair da cidade, vê que os seus desejos não vão ser atendidos. E quando acorda nos dias seguintes, percebe que está a viver o dia 2 de Fevereiro consecutivamente até que começa a perder o fio à meada dos dias, e a população entusiasta da marmota, passa a ser o seu passatempo. Começa a conhecer a vida de todos, aproveitando para salvar muitas vidas, assim como começa a olhar para Rita (Andy MacDowell) de maneira diferente.
O feitiço de tempo é tão grande que o desespero, a frustração, o tédio, a apatia, a loucura, tomam conta da vida de Phil, pois não sabe como sair daquela situação. Entre tentar maneiras de tornar a "dor" mais suportável ou aproveitar a situação para ser mais altruísta, parece que no final consegue tomar a decisão certa e a música que toca às 6 da manhã I Got You Babe já toca com outro propósito.
Um filme que nos dá a entender a que devemos mostrar real interesse nos outros e naquilo que os fazem felizes, e não numa vida egocêntrica e arrogante. Dar oportunidade de ouvir e partilhar momentos com os outros, e assim de tudo, preencher a vida com solidariedade e verdadeira compaixão.
Gostei do filme mas achei que entramos num ciclo vicioso e por momentos cheguei ter dificuldade em perceber como é que ele ia sair daquela situação, pois a personagem de Bill Murray começa algum tempo antes do final com as boas acções e não é por isso que é retribuído.
Também gostei das músicas que acompanham as situações caricatas e fez-me pensar que são melodias que relembram filmes cómicos da velha guarda, e apesar de não parecer, este filme já conta com mais de 20 anos.
Uma boa amostra que as segundas oportunidades podem existir basta fazer por elas e ter a capacidade de perceber e analisar o que está mal para mudarmos.
Este é um desafio mensal com a Catarina do Sonhar de olhos abertos e a Silvana do Por detrás das palavras. Por isso vejam o que elas têm a dizer sobre o mesmo.
Música da Semana
O blog tem andado paradito mas não tenho tido muito tempo para lhe dar a dedicação necessária e esta rubrica tem sofrido por causa disso, mas hoje voltei para vos dar música.
Quando ouvi esta pela primeira vez adorei, tem uma melodia bem agradável e uma letra bem catita a acompanhar. Enjoy it ;)
Português no Feminino - Palavras de Carina Rosa
De forma encerrarmos a primeira leitura para o desafio Português no Feminino 2015 decidimos dar a conhecer a autora, através das suas próprias palavras.
Poderíamos ter ido pelo caminho mais fácil recolhendo umas informações da autora através da internet, mas a entrevista permite que o leitor consiga conhecer melhor a escritora e a pessoa que está por detrás dos livros que nos dá a oportunidade de ler.
Carina Rosa
Por isso aqui ficam as nossas trocas de ideias:
1. O teu percurso literário já tem algum tempo. Partilha connosco as coisas boas e as coisas menos boas que a entrada no mundo da literatura te ofereceu.
Coisas boas: as pessoas que conheci, não apenas leitores-beta e bloguers, mas amigos com os quais me identifico e que entendem este meu mundo; o carinho dos leitores, que não se limitam a ler aquilo que escrevo, incentivando-me, ainda, a escrever mais e a nunca desistir; a aprendizagem daquilo que é a literatura e um grande crescimento em relação às técnicas de escrita criativa e de estrutura; as opiniões positivas, claro, porque me fazem feliz, e as negativas, porque me fazem crescer.
Coisas menos boas: talvez a exposição ao público. Muito do que um autor escreve mostra a sua visão pessoal das coisas. Transportamos muito para as personagens e isso coloca-nos numa situação complicada: expõe-nos a pessoas que não conhecemos e que não nos conhecem e que passam a fazê-lo. É uma grande responsabilidade escrever assim e mostrá-lo ao mundo. Depois, é preciso pensar muito bem naquilo que fazemos para não desiludir aqueles que um dia acreditaram em nós.
2. Durante o processo de escrita de um livro passas por imensas fases. O que é que é mais fácil e mais difícil durante a escrita de um livro.
Mais fácil: o romance e o dramatismo, duas áreas em que me sinto à vontade e das quais gosto imenso.
Mais difícil: o enredo e as personagens. O enredo porque não é fácil torná-lo credível e fazê-lo funcionar. As personagens porque têm de estar bem caracterizadas, sem dúvidas, sem incongruências. Penso que o mais difícil, numa obra, é mesmo o planeamento e o processo de criação do enredo e das personagens, porque é mais fácil escrever quando sabemos onde estamos e aquilo que queremos.
3. Para quem nunca leu nenhuma obra tua, quais as características que podes apontar e que o leitor vai certamente encontrar.
Muito romance, algum drama e muito, muito suspense.
4. É dentro do género contemporâneo que te sentes bem a escrever ou pensas que consegues tornar-te camaleónica ao ponto de te aventurar por um outro género?
Bem, eu já me aventurei por outro género, o policial, no qual estou a trabalhar de momento. Pessoalmente, acho que será uma mais-valia para mim enquanto escritora, porque é diferente de tudo o que tenho feito até aqui. No entanto, sim, o contemporâneo é o género em que me sinto mais à vontade. É bom, porém, sair da nossa zona de conforto e tentar outras coisas, alargar os nossos conhecimentos e capacidades. «O Escultor» está a ser um desafio e penso que quando estiver no ponto, vou respirar de alívio e ter ainda mais orgulho em mim mesma. Não são só os leitores que se fartam dos autores, quando lêem muita coisa dos mesmos e o estilo está sempre lá, começando a tornar-se maçador. Nós, autores, também nos fartamos, por vezes, daquilo que fazemos. Fugir ao contemporâneo foi uma boa decisão, embora planeie voltar, claro, à minha casa de sempre. Não é fácil ser um camaleão, mas estou a tentar sê-lo cada vez mais. Todos temos várias facetas e mais habilidades do que aquilo que pensamos.
5. “A Sombra de um passado” é o teu terceiro livro publicado. O que é que sentes com mais esta conquista?
«A Sombra de um Passado» é um livro importante, não só porque tenho um carinho muito especial por ele e o acho mesmo “fofinho”, mas também porque foi aceite por uma grande editora e isso levou-me a acreditar mais no meu trabalho. O facto de ter sido publicado por uma chancela da Porto Editora alargou-me horizontes e fez-me chegar a leitores diferentes, mesmo que tenha sido apenas em e-book. Creio que, em papel, chegaria a ainda mais. Foi sem dúvida uma conquista que me deixou muito feliz.
6. Como surgiu a ideia de escreveres “A Sombra de um passado”?
Surgiu numa noite especial de Verão, através de uma história que me foi contada. Este livro tem uma base real, com contornos fictícios que eu criei para passar a história para o papel.
7. Todas as personagens deste livro têm características que as aproximam muito da realidade. Como é que fazes para conseguir captar essa essência? Há alguma personagem pela qual tenhas um carinho especial?
Bem, eu tento colocar-me na pele das personagens, pensar naquilo que fariam em determinada situação. Rio e sofro com elas, daí, talvez, parecerem tão reais. Na verdade, eu acho que elas o parecem porque eu as vejo assim. Para mim, existem para lá do papel e poderiam ser qualquer de nós. Aliás, se o leitor não sentir o mesmo, não consegue entrar na história. Neste livro, confesso que a minha personagem favorita é o Hugo. A força desta história vem dele, ainda que seja o vilão. É ele que faz girar tudo à sua volta. Eu adoro vilões. Têm uma força que por vezes não encontramos em outras personagens. No caso do Hugo, o meu carinho por ele é ainda maior, porque há uma reviravolta na sua personalidade e ele acaba por mostrar vulnerabilidades que nos levam a perdoá-lo um bocadinho.
8. Houve alguma passagem que achaste que era melhor não colocar por medo de chocares o leitor?
Não. Não penso nisso quando estou a escrever, nem nas cenas de agressão, nem nas de sexo. Se me pedissem para as citar em público, provavelmente não o faria, mas um livro é mais do que essas passagens fortes, é composto por tudo o resto e elas são necessárias.
9. São vários os locais do Algarve e do Porto que referes ao longo do livro. São locais que te são queridos por estarem associados a boas memórias ou foram escolhidos de forma aleatória?
Sim, sem dúvida que me são queridos. O Algarve porque é a região onde vivo, o Porto porque é a cidade onde a minha mãe nasceu e onde a minha família viveu durante muitos anos. Ainda tenho lá família.
10. O que podemos esperar nos próximos tempos em termos literários?
Estou a trabalhar muito para poder mostrar aos leitores o meu primeiro romance policial, «O Escultor». No entanto, só irá para a rua quando eu achar que está no ponto. Ainda precisa de muito trabalho e não há pressas. O momento certo chegará.
11. Pensando no teu futuro enquanto escritora, quais são os teus maiores sonhos?
Os de qualquer autor que expõe o seu trabalho, acho. Primeiro: ser lida, ser muito lida, porque uma obra pode ser boa, mas se não for conhecida, ninguém saberá da sua existência. Segundo: que os leitores continuem a gostar daquilo que lhes dou, porque a leitura é um mundo de sonhos e o meu maior desejo é fazer sonhar quem está do outro lado e passar bons momentos dentro de uma história. Penso que estes meus sonhos se reflectem nos meus leitores, mas para os conseguir, precisava de uma maior projecção no meu trabalho. Gostava muito de conseguir publicar o meu próximo livro em papel, não porque não seja lida em e-book, mas porque ainda sou da geração do papel e gosto de ver os meus livros na estante e poder folheá-los de vez em quando. Gosto de saber que existem como algo palpável e que posso oferecê-los às pessoas especiais. Penso que este seria o meu maior sonho neste universo.
Obrigada Carina pelas tuas palavras e pela tua disponibilidade.
Foi um gosto e cá estamos para ler as tuas palavras, por isso só queremos que continues a dar azo à tua devoção à escrita.
Opinião Livro
A Sombra de um Passado, Carina Rosa
Título Original: A Sombra de um Passado
Autor: Carina Rosa
Editora: Coolbooks
Género: Romance Contemporâneo
Páginas: 312
Ano Publicação: 2014
Sinopse
Conseguirá o verdadeiro amor apagar uma grande paixão?
Clara e Santiago vivem um casamento feliz e juntos planeiam construir um palácio de sonho para viverem com a filha. Mas quando, numa concentração de motas, Clara reencontra o homem que quase destruiu a sua vida, o passado mistura-se com o presente e a sua felicidade ao lado de Santiago é ameaçada. Hugo regressa após dez anos na prisão e Clara sabe que ele quererá vingança por ter sido abandonado e por tudo o que ela construiu na sua ausência. As inseguranças da menina inocente que foi um dia regressam e, com elas, a culpa e o sentimento doentio que nutriu em tempos por Hugo.
A sombra de um passado é uma história de amor, de sonhos e de perdas que nos leva ao mundo do crime, das drogas e da discriminação racial. Um tributo à família, aos que amam e sabem amar-se e à felicidade nas pequenas coisas.
Quando eu e a Silvana do Por detrás das palavras criamos o Desafio Português no Feminino 2015 pensamos em aliar este com a nossa parceria para leituras conjuntas, daí termos sugerido ler como primeira autora portuguesa a Carina Rosa. Se em Dezembro tinha lido o conto Olhos de Vidro, fiquei ainda mais entusiasmada para avançar para uma obra maior.
Clara tem uma vida estável com o seu marido Santiago e a filha Carolina no Algarve, longe do local onde nasceu, o Porto. Dez anos separam o momento que abandonou o local de más memórias para construir uma nova vida na outra ponta do país.
Profundamente marcada pelo passado, o presente é resultado das cicatrizes deixadas quer pelo pai, quer pelo ex-namorado Hugo. Não acredita no para-sempre, tem uma vidão muito clara e realista do que espera da vida. Por se ter deixado levar na cantiga do ex-namorado, tem serias dificuldades em ver exactamente o que de bom que tem à sua frente, e neste caso falo no amor e dedicação que o marido Santiago, depositou desde o 1º momento nela. Pelo contrário senti que a Clara transfere esse tipo de emoções para com o Hugo e não pelo marido. Enquanto se subjuga a um, a outro é fria e distante.
Em certos momentos não estava mesmo nada à espera do rumo que as situações tomam, e foi este um dos aspectos que me cativou, pela estupefacção que me deixaram. Contudo também existiram outros tantos que só me apetecia dar um estalo a alguém para chamar à razão. Com personagens verídicas que retratam o bom e o mau do caráter de cada um, achei que existiram alguns pontos que careceram de realismo. Vamos conseguindo ter uma visão de quase todas as personagens - Clara, Santiago, Hugo, Tatiana - com os diálogos internos que vão tendo e muitas vezes sentimos a angústia, frustração ou medo de cada um. E neste aspecto a Clara era a mais repetitiva com pensamentos recorrentes ao que se passou naquela garagem há tantos anos.
Não há certezas absolutas até ao final, tais são os confrontos com a verdade, a escolha, o perdão, e acima de tudo, a aceitação de que o do que aconteceu e que nem sempre há vencedores. O Hugo teve de conseguir aceitar a escolha da Clara e a Clara teve de aceitar as memórias de um passado que pouco ou nada a fizeram feliz. Para o Santiago foi um abre olhos de finalmente aceitar as cicatrizes físicas e emocionais que a mulher tanto tentava esconder.
Uma história marcada por um passado de violência que transfere uma pesada carga de mágoas e desespero para o presente e para alguém que acha que vai ser uma história de amores reencontrados, desengane-se. Ficámos na incerteza quase até ao último momento do que poderá acontecer.
Esta semana será ainda publicada a entrevista à autora da obra, Carina Rosa. Fiquem atentos!
Citações:
"O amor não pode ser ensinado. Ou existe ou não existe."
"Às vezes, amar é deixar voar."
Classificação: 4*
Friday Finds
Pegando nas minhas descobertas das últimas semanas, chega mais um Friday Finds apresentado pelo blogue Should Be Reading.
São considerados "finds" os livros que adicionamos à lista To Be Read, onde quer que os encontremos - livrarias, online, bibliotecas, etc.
Estes são as últimas adições já a contar com livros de 2015.
E vocês têm muitas adições semanais na vossa lista TBR?
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