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Português no Feminino - Palavras de Carina Rosa





De forma  encerrarmos a primeira leitura para o desafio Português no Feminino 2015 decidimos dar a conhecer a autora, através das suas próprias palavras.
Poderíamos ter ido pelo caminho mais fácil recolhendo umas informações da autora através da internet, mas a entrevista permite que o leitor consiga conhecer melhor a escritora e a pessoa que está por detrás dos livros que nos dá a oportunidade de ler. 


 Carina Rosa


Por isso aqui ficam as nossas trocas de ideias:


1. O teu percurso literário já tem algum tempo. Partilha connosco as coisas boas e as coisas menos boas que a entrada no mundo da literatura te ofereceu.
Coisas boas: as pessoas que conheci, não apenas leitores-beta e bloguers, mas amigos com os quais me identifico e que entendem este meu mundo; o carinho dos leitores, que não se limitam a ler aquilo que escrevo, incentivando-me, ainda, a escrever mais e a nunca desistir; a aprendizagem daquilo que é a literatura e um grande crescimento em relação às técnicas de escrita criativa e de estrutura; as opiniões positivas, claro, porque me fazem feliz, e as negativas, porque me fazem crescer.
Coisas menos boas: talvez a exposição ao público. Muito do que um autor escreve mostra a sua visão pessoal das coisas. Transportamos muito para as personagens e isso coloca-nos numa situação complicada: expõe-nos a pessoas que não conhecemos e que não nos conhecem e que passam a fazê-lo. É uma grande responsabilidade escrever assim e mostrá-lo ao mundo. Depois, é preciso pensar muito bem naquilo que fazemos para não desiludir aqueles que um dia acreditaram em nós.   

2. Durante o processo de escrita de um livro passas por imensas fases. O que é que é mais fácil e mais difícil durante a escrita de um livro.
Mais fácil: o romance e o dramatismo, duas áreas em que me sinto à vontade e das quais gosto imenso.
Mais difícil: o enredo e as personagens. O enredo porque não é fácil torná-lo credível e fazê-lo funcionar. As personagens porque têm de estar bem caracterizadas, sem dúvidas, sem incongruências. Penso que o mais difícil, numa obra, é mesmo o planeamento e o processo de criação do enredo e das personagens, porque é mais fácil escrever quando sabemos onde estamos e aquilo que queremos.

3. Para quem nunca leu nenhuma obra tua, quais as características que podes apontar e que o leitor vai certamente encontrar.
Muito romance, algum drama e muito, muito suspense.

4. É dentro do género contemporâneo que te sentes bem a escrever ou pensas que consegues tornar-te camaleónica ao ponto de te aventurar por um outro género?  
Bem, eu já me aventurei por outro género, o policial, no qual estou a trabalhar de momento. Pessoalmente, acho que será uma mais-valia para mim enquanto escritora, porque é diferente de tudo o que tenho feito até aqui. No entanto, sim, o contemporâneo é o género em que me sinto mais à vontade. É bom, porém, sair da nossa zona de conforto e tentar outras coisas, alargar os nossos conhecimentos e capacidades. «O Escultor» está a ser um desafio e penso que quando estiver no ponto, vou respirar de alívio e ter ainda mais orgulho em mim mesma. Não são só os leitores que se fartam dos autores, quando lêem muita coisa dos mesmos e o estilo está sempre lá, começando a tornar-se maçador. Nós, autores, também nos fartamos, por vezes, daquilo que fazemos. Fugir ao contemporâneo foi uma boa decisão, embora planeie voltar, claro, à minha casa de sempre. Não é fácil ser um camaleão, mas estou a tentar sê-lo cada vez mais. Todos temos várias facetas e mais habilidades do que aquilo que pensamos.

5. “A Sombra de um passado” é o teu terceiro livro publicado. O que é que sentes com mais esta conquista?
«A Sombra de um Passado» é um livro importante, não só porque tenho um carinho muito especial por ele e o acho mesmo “fofinho”, mas também porque foi aceite por uma grande editora e isso levou-me a acreditar mais no meu trabalho. O facto de ter sido publicado por uma chancela da Porto Editora alargou-me horizontes e fez-me chegar a leitores diferentes, mesmo que tenha sido apenas em e-book. Creio que, em papel, chegaria a ainda mais. Foi sem dúvida uma conquista que me deixou muito feliz.

6. Como surgiu a ideia de escreveres “A Sombra de um passado”?
Surgiu numa noite especial de Verão, através de uma história que me foi contada. Este livro tem uma base real, com contornos fictícios que eu criei para passar a história para o papel.

7. Todas as personagens deste livro têm características que as aproximam muito da realidade. Como é que fazes para conseguir captar essa essência? Há alguma personagem pela qual tenhas um carinho especial?
Bem, eu tento colocar-me na pele das personagens, pensar naquilo que fariam em determinada situação. Rio e sofro com elas, daí, talvez, parecerem tão reais. Na verdade, eu acho que elas o parecem porque eu as vejo assim. Para mim, existem para lá do papel e poderiam ser qualquer de nós. Aliás, se o leitor não sentir o mesmo, não consegue entrar na história. Neste livro, confesso que a minha personagem favorita é o Hugo. A força desta história vem dele, ainda que seja o vilão. É ele que faz girar tudo à sua volta. Eu adoro vilões. Têm uma força que por vezes não encontramos em outras personagens. No caso do Hugo, o meu carinho por ele é ainda maior, porque há uma reviravolta na sua personalidade e ele acaba por mostrar vulnerabilidades que nos levam a perdoá-lo um bocadinho.

8. Houve alguma passagem que achaste que era melhor não colocar por medo de chocares o leitor?  
Não. Não penso nisso quando estou a escrever, nem nas cenas de agressão, nem nas de sexo. Se me pedissem para as citar em público, provavelmente não o faria, mas um livro é mais do que essas passagens fortes, é composto por tudo o resto e elas são necessárias.

9. São vários os locais do Algarve e do Porto que referes ao longo do livro. São locais que te são queridos por estarem associados a boas memórias ou foram escolhidos de forma aleatória?
Sim, sem dúvida que me são queridos. O Algarve porque é a região onde vivo, o Porto porque é a cidade onde a minha mãe nasceu e onde a minha família viveu durante muitos anos. Ainda tenho lá família.

10. O que podemos esperar nos próximos tempos em termos literários?
Estou a trabalhar muito para poder mostrar aos leitores o meu primeiro romance policial, «O Escultor». No entanto, só irá para a rua quando eu achar que está no ponto. Ainda precisa de muito trabalho e não há pressas. O momento certo chegará.

11. Pensando no teu futuro enquanto escritora, quais são os teus maiores sonhos?
Os de qualquer autor que expõe o seu trabalho, acho. Primeiro: ser lida, ser muito lida, porque uma obra pode ser boa, mas se não for conhecida, ninguém saberá da sua existência. Segundo: que os leitores continuem a gostar daquilo que lhes dou, porque a leitura é um mundo de sonhos e o meu maior desejo é fazer sonhar quem está do outro lado e passar bons momentos dentro de uma história. Penso que estes meus sonhos se reflectem nos meus leitores, mas para os conseguir, precisava de uma maior projecção no meu trabalho. Gostava muito de conseguir publicar o meu próximo livro em papel, não porque não seja lida em e-book, mas porque ainda sou da geração do papel e gosto de ver os meus livros na estante e poder folheá-los de vez em quando. Gosto de saber que existem como algo palpável e que posso oferecê-los às pessoas especiais. Penso que este seria o meu maior sonho neste universo.


Obrigada Carina pelas tuas palavras e pela tua disponibilidade.
Foi um gosto e cá estamos para ler as tuas palavras, por isso só queremos que continues a dar azo à tua devoção à escrita.


 

Retalhos de uma Leitura Conjunta - Questões




Estas são as perguntas feitas pela Silvana do Por detrás das palavras sobre o livro


[atraso na publicação das questões de dia 19]

Questões:

1. Hugo e Clara Vs Santiago e Clara. Dois casais muito distintos apesar de uma pessoa em comum, neste momento da história o que te apetece dizer sobre eles?
Não vou falar do passado só do momento actual. 
Hugo e Clara: ela confia cegamente nele, não sabe impor-se, tem medo e tem uma atracção sexual muito forte por ele. Hugo possessivo e obcecado pela Clara, não lida bem com a rejeição, meteu na cabeça que a Clara é dele assim como se de um objecto se tratasse.
Santiago e Clara: Clara é distante emocionalmente, sabe jogar a seu favor o que quer pois o marido sempre esteve disposto a fazer tudo por ela, mesmo que não lhe mostre uma mínima parte do que ele significa para ela.
Santiago não sabe enfrentar a mulher, apesar de dar tudo na relação, é o agente passivo, pois parece pouco incomodado com receber pouco.
Basicamente nesta relação a Clara é o Hugo e o Santiago é a Clara.

2. Hugo tem vindo a ficar com a "ficha queimada" de tanta coisa má que fez ao longo da vida e continua a fazer. Neste momento o que é que achas de Hugo e o que pensar que o futuro lhe reserva?
Desde o início que pensei que esta seria uma história de amores reencontrados e que iam tentar de tudo para voltarem a estarem juntos. Quanto mais entramos na história mais me apercebo que o meu desejo inicial não vai ser atendido, mas mesmo assim acalentava a esperança que um mau passado não se torna necessariamente num mau futuro, só que o Hugo continuou igual ou pior. E quando as pessoas não têm a capacidade de aprenderem com os erros e nem sequer têm noção que erraram no passado, vão continuar a insistir no mesmo e não vão buscar as melhores armas para lutarem por aquilo que querem. O incrível nisto tudo é que queria odiá-lo e queria que ele pagasse pelo que fez, por isso em jeito de novela, é melhor ele sair do país, escrever à Clara com um sincero perdão e não voltar a interferir na vida dela.

3. Santiago tomou finalmente uma atitude. O que achas desta atitude?
Aleluia! Ele no fundo sempre soube que alguma coisa se passava com a mulher, há várias indicações disso, mas como o feitio da mulher não era o melhor para puxar pelos desabafos, deixava andar. Quando rebentou, teve um pensamento ridículo e quando finalmente caiu em si, percebeu que tinha de lutar pela sua família. E fê-lo numa boa altura e quando foram preciso medidas extremas soube usá-las para seu proveito, pois mesmo a alma mais calma quando puxada ao limite sabe rugir.



Questões finais:

1. Será que Hugo se acertou verdadeiramente com o seu passado?
Quero acreditar que sim ou pelo menos faz por isso. Acho que o que realmente importa é que as pessoas tenham a perfeita consciência do que fizeram de errado e que podem sempre alterar o curso da vida, mesmo que o passado seja feito de más opções, más influências ou azares. Só a questão Clara é que não ficou totalmente resolvida e nunca ficará, para quem não sabe amar mas conheceu quem lhe tentasse mostrar isso, ficará para sempre guardada essa ideia que isso foi amor e foi o que bastou.

2. Clara tomou a sua escolha em relação a Santiago e a Hugo. O que tens a dizer sobre estas escolhas?
Ao longo da história vamos percebendo quem ela escolhe mas acho que no final devia de ter existido uma decisão mais firme e que não ficasse a pairar a dúvida que o homem que escolheu sempre foi o certo nem nunca essa decisão foi questionável. Para mim existiram momentos que me pareceram de dúvida e insegurança que, se não tive acontecido algo de tão grave, ela poderia ter optado pelo outro. Ao confessar o passado não gostei de ter ficado com a sensação de que escolho este porque o outro nunca vai gostar de mim como eu queria.
 
3. Esta foi a tua primeira experiência com um livro da Carina Rosa. Partilha um bocadinho da tua experiência.
Já tinha lido o conto Olhos de Vidro e já tinha ficado com uma boa impressão, que com este livro ainda cimentou mais essa ideia. Houveram algumas partes que me custaram a engolir por achar que fossem irreais num enredo que me pareceu tão real, e também senti que a Carina focou-se em certos pormenores que não haviam a necessidade de se repetirem constantemente. Tirando isso, gostei da experiência de leitora novata da Carina, fui-me surpreendendo ao longo da leitura pois não estava mesmo nada à espera de certos acontecimentos. Para quem tinha um palpite do que poderia sair dali, fiquei mesmo animada com as trocas às minhas ideias. Achei um livro que nos mostra o poder que um passado pode exercer na nossa vida presente com personagens bem fidedignas, que erram mas tentam mesmo assim viver com os seus defeitos e aprender com eles. Uma boa mensagem.

 
Mas uma leitura conjunta que terminamos, sábado será a publicada a opinião completa ao livro e domingo a entrevista à autora, Carina Rosa.
E assim completamos o nosso primeiro mês do desafio Português no Feminino 2015.

Retalhos de uma Leitura Conjunta - Desafio 4




O último desafio e este é diferente, cada uma sugeriu um tema diferente para a outra, por isso aqui fica o da Silvana:

Desafio 4:

Escolhe uma música para cada personagem.


Clara




A canção começa com esta frase "Remember those walls I built?" e depois continua até chegar a esta parte "I found a way to let you in, But I never really had a doubt, Standing in the light of your halo, I got my angel now" e continua. 
Acho que é uma boa escolha para definir a relação da Clara com o Santiago e agora nos momentos finais também se pode aplicar ao amor que sente pela filha, "Baby I can see your halo, You know you're my saving grace."

Hugo



Para o Hugo resolvi escolher uma canção que fala de arrependimentos e de tomar novas e boas decisões, de não existirem ressentimentos mesmo quando há coisas que são difíceis de esquecer. Imaginei-o a ter esta canção como tema de conversa com o Valentim.


Santiago



Não queria uma música triste para o Santiago e acho que esta representa bem o amor que está disposto a mostrar pela mulher, mesmo que ela não veja as coisas como ele as vê, afinal ele é todo dela e só dela. "There's no need to complicate, our time is short, This is our fate, I'm yours."



Esta é uma leitura conjunta do livro



Retalhos de uma Leitura Conjunta - Questões






É tempo de mais questões depois de termos alcançado mais de metade da leitura do livro



Questões:
1. O que pensas da reacção de Santiago à menção do nome "Hugo" no momento de intimidade que partilhava com Clara?
A reacção dele foi normal pois parece-me que ele é daqueles que confia plenamente na mulher e nunca pensou que ela o fosse trair. Foi uma reacção de choque e espanto, e quando muitas vezes somos apanhados desprevenidos, a reacção de não agir/não dizer nada é normal. O que veio depois é que não é normal.

2. "Não percebo o que vês em mim. Eu sou um problema". Esta foi uma frase que Clara proferiu num diálogo com Santiago. De facto, o que é que levou Santiago a apaixonar-se tão intensamente por Clara?
Nesta relação acho que se aplica o famoso ditado "quanto mais me bates mais gosto de ti," traduzido por miúdos, quanto mais tentas ser fria e desinteressada em mim, mais eu te quero. Aquela sensação que vamos salvar alguém e que vamos conseguir "consertá-la" e fazê-la ver a vida de outra maneira. Para mim o Santiago sempre foi um idealista no amor e para ele a Clara foi o seu foco principal, quando nada até então lhe dado tanto gozo.

3. Será que Santiago queria mesmo morrer?
Não, não acho mas fiquei surpreendida com a atitude dele. Não o tomava como inseguro e que tivesse tais pensamentos antes de estar a par de toda a situação. Embriagado ou não, é preciso ser emocionalmente desequilibrado para ter tais ideias só porque um nome foi referido, mesmo num momento mais íntimo, contudo dito com repúdio, por isso há que perceber primeiro o que se passa para querer ir desta para melhor. E ele no fundo quer realmente saber o que se passa e não era por isso que ia deixar a filha órfã de pai. Bêbedo como estava se calhar nem chegou ao pé do mar e foi a maresia que o molhou.

Esta é uma leitura conjunta com a Silvana do Por detrás das palavras.

Retalhos de uma Leitura Conjunta - Desafio 3



Este é um desafio sobre a leitura conjunta com a Silvana do Por detrás das palavras  do livro 



Desafio 3:

As personagens estão a precisar de ir ao cinema. Que filme as levavas a ver?


Clara


Pelo trailer e pelo que sei da história parece se um filme que se adequa à Clara para que ela possa se livrar de todas as amarras do passado e para finalmente olhar para o presente/futuro de maneira mais ponderada e segura.

Hugo


Problemas com a polícia, adrenalina, drogas e mulheres são os temas que abarcam todos os filmes da saga Velocidade Furiosa. E o Hugo talvez aprendesse um bocadinho ao andar a brincar com a vida das pessoas ao ver este filme, porque no final podemos ficar mesmo sem elas sem haver qualquer retorno. (ver trailer)

Santiago


Escolhi este filme porque a mulher e a filha correm perigo e o protagonista tem de fazer tudo para salvar a vida delas. (ver trailer)

Carolina


Para a Carolina escolhi este filme infantil que estreou há pouco tempo. (ver trailer)


Retalhos de uma Leitura Conjunta - Questões




Estas são as questões levantadas pela Silvana do Por detrás das palavras sobre a 2º parte da leitura do livro



Questões:



1. Como uma pessoa que adora amores reencontrados, o que achaste deste reencontro entre Hugo e Clara?
Acho que a Clara nunca esqueceu o Hugo e viu-se na maneira com respondeu a ele. Correspondeu ao beijo e na maneira como lhe disse as coisas. 
Pensei que ele tivesse mesmo disposto a mostrar que gosta realmente dela e o passado também o fez sofrer e quer remediar isso, mas depois no final do capítulo fiquei furiosa com a atitude dele. O que me leva a pensar que as pessoas realmente nunca mudam a sua essência.

2. Achas que a Clara foi correcta quando se afastou de Hugo e não o ajudou?
É complicado avaliar esta questão. Se queres fugir a uma situação, então ela fez bem em abandoná-lo à sua sorte. Agora se queres agradecer pelo que ele sempre fez, então devia ter tentado saber da situação dele e ver no que dava, de qualquer maneira ele ficava preso pois foi apanhado em flagrante, por isso ela teria a possibilidade de fugir depois de tentar desenrascá-lo. 
Acho que a minha resposta pesa tanto o lado que de quereres abandonar uma situação opressiva como o lado que devias agradecer pelo que fizeram por ti, por isso não sei dizer exactamente se foi correcto ou não.

3. Pelo último capítulo desta parte que lemos ficamos a conhecer um bocadinho mais do Hugo. O que pensas sobre este passado? Que influência é que ele tem no Hugo que conhecemos nos dias de hoje?
Engraçado quando li essa parte fez-me pensar o Dawson do Dei-te o Melhor de Mim, protegido por um homem que espera apenas dele companhia e ajuda. Claro que tinha de existir algum tipo de semelhança naquilo que ele fez pela Clara pois ele passou exactamente pelo mesmo, e neste caso ele vê-a como um igual e compreende melhor que ninguém a situação, só que também há marcas que passado deixa e essas reflectem-se na agressividade, inconstância e adrenalina. 
Quando não conseguimos lidar com o passado ele irá eventualmente reflectir-se no presente/futuro, por isso saber que a Clara andou com a vida para a frente quando ela não tinha ninguém, o Hugo sente-se mais desprotegido e inseguro que nunca ao sentir que perdeu mais uma pessoa que gostava.

Retalhos de uma Leitura Conjunta - Desafio 2




Mais um desafio para responder depois de terminarmos a 2º parte da leitura do livro



Desafio 2:

Atenta nas personagens do livro. Escolhe uma citação/frase/poema para cada uma delas.

Clara: não consegui resistir e tive de escolher 2 citações, acho que expressam bem a maneira com a Clara está a lidar com a questão Hugo.

"When people don't express themselves, they die one piece at a time." Laurie Halse Anderson

"You never really understand a person until you consider things from his point of view...Until you climb inside of his skin and walk around in it." Harper Lee

Hugo: acho que a frase se enquadra pelo seu passado mas também como espero que a vida dele dê no futuro uma reviravolta de inferno para paraíso.

"The mind is its own place, and in itself can make a heaven of hell, a hell of heaven."

Santiago: a frase que escolhi tem a ver com o que penso que irá acontecer na relação do Santiago com a Clara, e a maneira como ele abordará o problema.

"All human wisdom is contained in these two words: Wait and Hope." Alexandre Dumas 


Retalhos de uma Leitura Conjunta - Questões




Hoje é dia de responder às questões feitas pela Silvana do Por detrás das palavras sobre o livro

 

 Questões:

1. O que pensas da personalidade da Clara? Achas que ela é mesmo aventureira?
Há três Clara: a Clara antes do Hugo, inexperiente e reprimida; a Clara com o Hugo, rebelde e fugitiva; e ainda a Clara depois do Hugo, ansiosa, cautelosa e realista. 
Pareceu-me que apenas foi aventureira e soube e tentou experimentar de tudo quando namorou com o Hugo, pois ele possibilitava-lhe isso mas acho que a sua verdadeira natureza não é de aventureira.

2. Por que motivo é que achas que Hugo fez tudo pela Clara? Acreditas que existe amor verdadeiro entre eles?
Ou ficou realmente obcecado por ela ou então sentiu uma vontade enorme de protegê-la da vida que ela tinha. Mas sinceramente talvez tenha sido a ideia de poder ter alguém sob o seu controlo mantendo-a debaixo do mesmo tecto e mandado-a fazer aquilo que queria. Tal como um sentimento de posse, em que ele podia fazer tudo o que lhe dava na real gana mas a Clara não tinha poder de escolha em nada. Mas não acho que existe amor verdadeiro entre eles, para a Clara o Hugo foi um abrigo e um escape para a ilusão da liberdade, enquanto o Hugo quis sentir que tinha uma mulher.

3. Qual é a tua impressão do Santiago?
Ah-a, confessa lá que estavas deserta para me perguntar isto :P
Gosto dele do pouco que li, pareceu-me o romântico e idealista na relação, e adora a mulher e a filha, por isso ouso dizer que daria o corpo às balas por elas. Digo isto pelo sacrifício de vários trabalhos que faz só para poder dar uma casa/castelo a elas e ainda pela bonita mensagem que deixou à mulher.


Retalhos de uma Leitura Conjunta - Desafio 1




Com a primeira parte lida - 5º capítulo inclusive - é tempo de responder ao 1º desafio da leitura conjunta com a Silvana do Por detrás das palavras do livro



Desafio 1:

Que livro oferecias a cada personagem para que eles o lessem? Porquê?


Carolina



O pai prometeu construir um castelo para a sua Princesa, mas convém que ela passe algum tempo no reino adormecido para os pais terem quality time.

Hugo



Pelos caminhos que o Hugo andou talvez fosse boa ideia ler esta obra e tirar algumas conclusões.

Clara


Até à parte que li não fiquei com boas sensações para com o Hugo e apesar da história em Um Refúgio para a Vida ser diferente, há o factor passado e o fugir para outro lugar, que as torna semelhantes.

Santiago


Depois de ler a mensagem que o Santiago deixou à  Clara, fiquei com a sensação que ele adora a mulher que tem e é capaz de fazer tudo por ela. Por isso este livro, que representa o amor de um marido à sua mulher e que a conhece-se melhor que tudo.

Tatiana



A escolha deste livro é simples: a Tatiana dá uma ar de despreocupada, solta e desastrada, e a Poppy neste livro também o é, e quando pensa que tem o homem que quer, afinal não é bem assim. Talvez fosse uma boa dica para a Tatiana perceber se gosta do namorado ou não.


Para quem não sabe este é o 1º livro para o desafio literário de 2015 Português no Feminino

Retalhos de uma Leitura Conjunta



Já estavam com saudades das leituras conjuntas que eu a Silvana, do Por detrás das palavras, começamos a dinamizar durante este ano? Pois, também nós estávamos tanto que decidimos utilizar estas últimas duas semanas para fazer uma leitura conjunta especial.

Assim entre os dias 22 e 30 de Dezembro eu e a Silvana vamos dedicar as nossas leituras a 5 contos de Hans C. Andersen.
De entre vários que tinhamos à escolha, decidimos eleger os seguintes:
  1. A Rapariguinha e os Fósforos (22 de Dezembro)
  2. O Abeto de Natal (24 de Dezembro) 
  3. A Rainha da Neve (26 de Dezembro) 
  4. A Pequena Sereia (28 de Dezembro)
  5. A Princesa e a Ervilha (30 de Dezembro)

Como já vem sendo hábito, estas leituras serão acompanhadas de pequenas perguntas no final de cada conto.
Esperamos que este desafio seja do agrado dos nossos leitores.



Retalhos de uma Leitura Conjunta





Questões:

1. Lydia com a sua fuga colocou a família Bennet numa posição delicada. Achas que ela reflectiu sobre isso? E o que pensas do papel de Wickham nesta história toda?
Já percebi que detestas-te a Lydia, mas não o consegui fazer, pois é bem compreensível o comportamento dela. Ela é muito imatura mas também o é pois os pais sempre lhe permitiram sê-lo, e nunca mediu nem as palavras nem as suas acções, pois nunca era severamente castigada. E sobre Wickham ainda não consegui perceber o que ele pretendia com a fuga com Lydia, já que ela posses não tinha e ele não estava apaixonado. Apesar de percebermos do calculismo dele em toda a história, isto foi a única coisa que não consegui descortinar. Pois a proposta de Mr. Darcy só chega depois...

2. O Sr. Bennet reagiu de forma severa ao comportamento de Lydia. Porém quando recebeu em casa o jovem casal facilmente se derreteu perante o comportamento de Wickham ao ponto de no fim o considerar o genro preferido. Isto fez sentido para ti?
Nada mesmo e preferi-lo ao Mr. Darcy ou Mr. Bingley, ainda menos. E tendo em conta que ficou a saber a verdadeira natureza de Wickham e de como Mr. Darcy mexeu os cordelinhos, não fez qualquer sentido afirmar isso, pois basicamente o homem foi intimado a casar com a sua filha. Acho que deveria ter mostrado continuamente uma certa reserva para com Wickham, apesar da filha estar casada com ele.

3. Finalmente, Elizabeth reconhece os seus sentimentos por Mr. Darcy. O que é que pensas acerca deste tardio reconhecimento, depois do homem quase rastejar atrás dela?
Elizabeth passou a vê-lo de maneira mais clara com o passar dos dias, acho que a carta que Mr. Darcy lhe entrega é o grande safanão que lhe abre os olhos para a injustiça de caracter que está a cometer. Eu prefiro que haja reconhecimento tardio que nenhum, e ao analisar as atitudes e boas recomendações que lhe foram sendo feitas sobre Darcy, percebeu que afinal não tinha nada contra ele. Contudo acho que o orgulho de Elizabeth lhe toldou demais a mente que outra coisa, pois mostrou que queria que fosse ele a declarar novas atenções depois de o ter dispensado.

4. Acho que já era esperado este happy ending! Esteve de acordo com as tuas expectativas?
Para quem viu o filme primeiro, já sabia que o final do livro não é nada semelhante ao do filme, mas preferia um capítulo inteiramente dedicado ao casal feliz, e não um a falar da vida dos outros. 
Fico satisfeita por ver que ambos conseguiram ultrapassar as suas diferenças mas bastante admirada com a atitude de Elizabeth no meio disto tudo. Então a rapariga queria que fosse ele a abordá-la primeiro, apesar de compreender as reservas deste em não o fazer. Acho que ao ter-lhe agradecido a sua ajuda no caso da irmã, não significa que ela tenha dado o primeiro passo, pois como é que queria que Mr. Darcy a fosse interpelar depois do que lhe disse?! Era mais do que normal o medo em abordá-la, e como ele lhe diz "porque você se mantinha grave e silenciosa e não me deu qualquer encorajamento." Basicamente ela queria que ele rastejasse por ela, e surpreendeu-me esta atitude de uma mulher que dá a ideia de ser prática e muito pouco dada aos romantismos.

Questões levantadas pela a Silvana do Por detrás das palavras da leitura conjunta do livro


Retalhos de uma Leitura Conjunta




[Já chega atrasado mas cá estão dois desafios finais]


Desafio 6:

Foca-te nas personagens principais. Para cada uma delas escolhe um adjectivo que aches capaz de descrever a personalidade deles.

Elizabeth Bennet:
Preconceituosa - Para mim ela foi a que mostrou mais preconceito em toda a história, afinal mostrou claramente que as atitudes da sua família não lhe eram indiferentes mas sim vergonhosas. Para quem atira tanto à cara dos outros, é preciso ter lata.

Mr. Darcy: 
Cauteloso - Acho que a conduta deste homem em relação a Elizabeth sempre foi muito cautelosa pois a timidez e incapacidade de saber reagir a emoções desconhecidas levaram-no a uma maior reserva.

Mr. Collins: 
Mesquinho - Eu bem queria arranjar um melhor adjectivo para caracterizar esta espécie de homem, mas este também se aplica a alguém que tem uma visão muito limitada, e que transmite uma aparência de pessoa acanhada mas no fundo é bem mais vil do que aquilo que deixa transparecer.

Jane Bennet:
Ingénua - Para uma pessoa que acredita sempre nos outros e em tudo, não é preciso perceber a sua natureza pura mas que é demasiado influenciável.

Mr. Bingley:
Cobarde -  O amigo Darcy até lhe podia ter dado a sua opinião sobre o assunto Jane, mas ele como homem apaixonado, deveria ter seguido a sua vontade e intuição, e ter tirado conclusões por si próprio.

Wickham:
Calculista - Procedeu sempre por interesse, mesmo para manifestar a Elizabeth as suas ideias sobre Darcy. Até quando casou com Lydia, só quando existiu dinheiro envolvido e dividas pagas, é que decidiu casar-se.

Lady Catherine: 
Condescendente - Ao sentir-se superior sempre mostrou a Charlotte e a Elizabeth como as mulheres devem proceder, e ainda, com pessoas de baixa educação não devem esperar senão altivez de quem lhes está naturalmente a cima na sociedade.

Mrs. Bennet: 
Frívola - Nunca vi mulher para mudar tanto de opinião em tão pouco espaço de tempo. Jesus, tudo o que saia da sua boca era um atentado a quem a ouvia. Não admira que a filha Lydia seja como é.

Mr. Bennet:
Permissivo -  Deu tanta liberdade às filhas que sofreu as consequências do seu comportamento de pai pouco firme e sem pulso naquela casa.



Desafio 7:

Uma frase que te marcou...

"A perda da virtude numa mulher é irreversível; um só passo em falso acarreta uma série de desgraças sem fim; a sua reputação não é menos frágil que a sua beleza; e uma mulher nunca será demasiado cautelosa para com as pessoas do sexo oposto, especialmente para aquelas que não merecem a sua confiança."

(Dito por Mary a Elizabeth sobre o assunto da semana na família Bennet, Lydia e Wickham. pg. 210/11)








Retalhos de uma Leitura Conjunta





Desafio 5:

Dá música a uma cena escolhida por ti

Bom escolhi esta música para o Mr. Darcy. 
Depois de ter sido rejeitado pela Elizabeth e de lhe ter dado a conhecer as suas razões por meio de carta, muito do que esta canção descreve lhe terá passado pela cabeça.
Pobre homem!




Esta é uma leitura conjunta com a Silvana do Por detrás das palavras do livro




Retalhos de uma Leitura Conjunta






Questões:

1. Achas que Mr. Darcy conseguiu expressar bem os seus sentimentos a Elizabeth? O que é que achas que faltou/não faltou? Mudarias alguma coisa na declaração?
Acho que não é a declaração mais romântica ou emotiva de sempre, mas para um homem reservado, ponderado e talvez alheio a tais sentimentos, não se podia esperar outra coisa. Apesar de ter dito que se apaixonou contra o seu carácter, diz muito de quem nunca experienciou o amor, visto que este sentimento é tão sorrateiro e imprevisível, que o fez apaixonar pela pessoa menos provável. Pois se tal não fosse, ele nunca pediria ao amigo para se afastar de Jane, e depois fosse confessar-se a Elizabeth. 
Não mudaria nada, acho que para um homem como é pintado Mr. Darcy, só lhe fica bem a sinceridade e rectidão, e surpreendentemente mostra ser humilde. Não faltou nada, pois entendo que tudo isto seja novidade para si e ele não sabe bem como lidar com os sentimentos levantados.

2. Elizabeth pensa que Charlotte não é feliz com o Mr. Collins. Concordas com a Elizabeth?
Não concordo com Elizabeth, acho que para alguém tão pragmático e para quem dá a ideia que não se fia em romances cor-de-rosa, está mais inclinada a ser bem mais romântica do que aquilo que deixa transparecer.
Sabendo a época que retrata até fiquei feliz que Charlotte tenha aceite casar, Mr. Collins não é certamente o melhor partido, mas para os ideais daquela época, o que interessava era arranjar um marido, casa e ter algumas posses. O amor só era fruto para alguns felizardos, por isso, fiquei admirada com a reacção de Elizabeth. Acho que Charlotte pensou que aquela seria a sua única hipótese de casar e tentar ser feliz e agarrou-a.

3. Será que Mr. Darcy conseguiu mudar um pouco a opinião de Elizabeth em relação a ele? Se achas que mudou, em que sentido se deu essa mudança?
Acho que conseguiu sim mudar a opinião negativa que ela tinha dele.
Sinto que ela própria confirmou que levantou suspeitas sobre ele levianamente e à primeira vista,  que também se mostrou preconceituosa para com Mr. Darcy, algo que Elizabeth sempre o atacou por tê-lo feito. Só porque ele não está constantemente a sorrir ou dá respostas sinceras a quem não as quer ouvir, não significa que tenha mau coração. 
Essa mudança acentuou ainda mais que ele nunca lhe foi indiferente, pois se o fosse teria ignorado desde o primeiro momento tudo o que ele representa.


Questões feitas pela Silvana do Por detrás das palavras da leitura conjunta do livro