Opinião Livro

I've Got Your Number, Sophie Kinsella


Título em Português: Tenho o Teu N3mero
Autor: Sophie Kinsella
Editora: The Dial Press
Género: Chick-lit
Páginas: 449
Ano Publicação: 2012

Sinopse

I’ve lost it. :( The only thing in the world I wasn’t supposed to lose. My engagement ring. It’s been in Magnus’s family for three generations. And now the very same day his parents are coming, I’ve lost it. The very same day! Do not hyperventilate, Poppy. Stay positive :) !!

Poppy Wyatt has never felt luckier. She is about to marry her ideal man, Magnus Tavish, but in one afternoon her “happily ever after” begins to fall apart. Not only has she lost her engagement ring in a hotel fire drill but in the panic that follows, her phone is stolen. As she paces shakily around the lobby, she spots an abandoned phone in a trash can. Finders keepers! Now she can leave a number for the hotel to contact her when they find her ring. Perfect!

Well, perfect except that the phone’s owner, businessman Sam Roxton, doesn’t agree. He wants his phone back and doesn’t appreciate Poppy reading his messages and wading into his personal life.

What ensues is a hilarious and unpredictable turn of events as Poppy and Sam increasingly upend each other’s lives through emails and text messages. As Poppy juggles wedding preparations, mysterious phone calls, and hiding her left hand from Magnus and his parents . . . she soon realizes that she is in for the biggest surprise of her life.





Mais uma estreia, desta vez com, Sophie Kinsella. Correu tão bem a leitura que o li num dia.

Poppy Wyatt não podia estar mais feliz da vida, prestes a casar tem como anel de noivado, uma longa herança da família do noivo, Magnus. E na mesma altura que se reúne com as suas amigas para a despedida de solteira, resolve mostrá-lo. Mas devido ao aparato que se dá naquela sala, o anel desaparece. E quando tenta arranjar soluções para encontrá-lo, o telemóvel é roubado, perdendo todos os contactos importantes que lhe poderiam ajudar no aparecimento do objecto de valor. Só que no meio do azar, a sorte resolve dar a cara, e encontra um telemóvel abandonado num caixote do lixo.

Contudo este telemóvel não é um qualquer, pertence a uma firma, mais especificamente à ex-assistente de Sam Roxton. Este não fica nada satisfeito quando Poppy se apodera completamente do telemóvel, mas quando vê algumas vantagens neste meio informal de trocar informações, começa a dar algum crédito à “pobre” rapariga que tanto quer encontrar o valioso anel de noivado. 

A ajuda tanto pode ser no Scrabble como encontrar uma solução ao grave problema que a empresa de Sam enfrenta. Dois completos desconhecidos que passam a confiar um no outro e a entreajudarem-se para obterem os seus objectivos. Se Sam se mostra bastante reticente no início e não gosta de saber que informação importante está nas mãos de Poppy, esta não se deixa desmoralizar com a maneira de ser dele e até lhe confessa problemas pessoais.
 
Consegue transformar algo como perder um objecto, não digo insignificante, mas com menos valor, em algo completamente descobridor como é apaixonar-se por alguém, redescobrir-se a si própria e questionar a relação actual. Pois se queria tanto saber como era a relação de Sam com a ex-namorada, talvez não andasse a prestar a devida atenção à sua relação com Magnus.

Gostei muito da interacção feita por sms, deu outra dinâmica à história, adequa-se totalmente com o título, e não podia deixar de reparar que para a Poppy o telemóvel é como um apêndice. Nunca deixou de dar recado ao Sam, respondia sempre a tudo (até se meteu onde não devia) e também não conseguiu deixar a veia de cusca de lado “actualizando-se” sempre que podia na vida do rapaz.

A protagonista é uma personagem crescida mas com uma boa dose de maluqueira e boa-disposição. Gostei de sentir uma personagem tão positiva e activa que conseguiu contrastar com o aspecto mais rude e autoritário do Sam, fazendo com aquela personalidade espevitada conseguisse baixar-lhe a guarda. Acho que ele no início estava tão frustrado com toda a situação e com ela, que para o fim já lhe estava entranhado tudo aquilo.

O drama e momentos cómicos parecem andar de mão dada, mas tudo acaba por correr pelo melhor, e o fim traz mesmo o bónus. Foi uma leitura bem agradável e fluída com que consegue cativar pelas personagens patetas mas reais. Diverti-me a lê-lo e espero ler mais desta autora. Este é mesmo um bom livro para ler no Verão.

Citações:

“But sometimes you have to be brave. Sometimes you have to show people what's important in life.”  

“And this is the moment where I went wrong. This is the gut-churning, if-only instant. If I could go back in time, that's the moment I would march up to myself and say severely, "Poppy, priorities."

But you don't realize, do you? The moment happens, and you make your crucial mistake, and then it's gone and the chance to do anything about it is blown away.” 

“Lover? I don't know. I don't know if she loves me. I don't know if I love her. All I can say is, she's the one I think about. All the time. She's the voice I want to hear. She's the face I hope to see.” 

Classificação: 4 de 5*
 








Aquisições




Julho


Correu bem as minhas compras no mês passado.
Aproveitei especialmente promoções de alguns livros que costumam ser caros. 




Já contam com algum destes nas vossas estantes?

Maratona Literária - Viagens (In)Esperadas: Especial Verão





Check-point final:




Correu bem, acabei só por não acabar o Unravel Me (vou a meio), portanto as páginas lidas são:

Natureza em destaque ou como cenário/Infantil ou juvenil: Linger: 403
Recomendação amigo/online/ Aventura,mistério, ou comédia/ Ebook ou da biblioteca/ Decorre no Verão: Amy and Roger's Epic Detour: 310
Continente diferente do Norte-Americano/ Mais de 400 páginas: A Filha do Capitão: 636
Género diferente do habitual/Com personagens não humanas: Alieneted: 259
Um dos teus autores favoritos/Romance ou amizade forte/Best seller: Dei-te o Melhor de Mim: 299
Conto ou novela: Life Before Legend: 47
Capa azul ou com mar/Protagonista feminina: Unravel Me: 200

Total: 2154

Que venham mais!

Opinião Livro

Tangled, Emma Chase



Título em Português: Envolvidos
Autor: Emma Chase
Editora: Gallery Books
Género: Romance Contemporâneo
Série: Tangled #1
Páginas: 222
Ano Publicação: 2013

Sinopse

Drew Evans is a winner. Handsome and arrogant, he makes multimillion dollar business deals and seduces New York’s most beautiful women with just a smile. He has loyal friends and an indulgent family. So why has he been shuttered in his apartment for seven days, miserable and depressed?

He’ll tell you he has the flu.

But we all know that’s not really true.

Katherine Brooks is brilliant, beautiful and ambitious. She refuses to let anything - or anyone - derail her path to success. When Kate is hired as the new associate at Drew’s father’s investment banking firm, every aspect of the dashing playboy’s life is thrown into a tailspin. The professional competition she brings is unnerving, his attraction to her is distracting, his failure to entice her into his bed is exasperating.

Then, just when Drew is on the cusp of having everything he wants, his overblown confidence threatens to ruin it all. Will he be able untangle his feelings of lust and tenderness, frustration and fulfillment? Will he rise to the most important challenge of his life?

Can Drew Evans win at love?

Tangled is not your mother’s romance novel. It is an outrageous, passionate, witty narrative about a man who knows a lot about women…just not as much as he thinks he knows. As he tells his story, Drew learns the one thing he never wanted in life, is the only thing he can’t live without.


Funny as hell! Esta é a melhor maneira de descrever este livro. E é tão bom pegar num livro e poder chorar a rir, não só porque a personagem principal diz coisas tão patéticas, mas o que diz, é tão verdade.

Quem ainda não se deixou endrominar pelo Drew Evans não sabe o que está a perder. Este homem é puro fogo, puro poder e pura sabedoria. Ou assim acha ele, até ao dia em que fica “gripado”.



Drew Evans é um homem poderoso, sabe bem o que quer, faz e diz aquilo que quer. Bom dá para perceber bem que ele é o epítomo do “quero, posso e mando.” Mas assim de tudo, é um homem feliz, tanto com o seu modo de vida como com a família que o rodeia. Tem um trabalho que adora e em que é bom, tem tempo para as suas aventuras signifiquem elas, mulheres como hobbys, e tem uns pais que o mimam, uma irmã que o põe na linha, uma sobrinha de 4 anos que já arranjou maneira de pagar a faculdade, e uns amigos fantásticos. 
O que poderia querer melhor?! Nada, Drew está mais do que satisfeito. Até ao dia em que a “gripe” o apanha forte e feio, e o homem que nunca pensou vir a ser, torna-se realidade.

A causa da “gripe”? Uma mulher. Mas esta não é uma mulher qualquer, já que pode até aparentar sentir-se atraída por ele, porém há algo que não a deixa: está noiva. E se isso não bastava, ainda tinha de se tornar uma rival dentro da própria empresa do Drew. Entre o jogo quero-te/não te quero, a competição no trabalho, e o nascer de uma amizade que ambos não estavam à espera, a química passa a ser cada vez mais evidente e difícil de lidar. 

Kate Brooks sabe que Drew não é um homem para brincadeiras e tenta ao máximo resistir-lhe. Afinal está há tanto tempo com o namorado e este é o seu porto seguro porém esta relação é onde ela menos se empenha. Contrário ao trabalho onde, mesmo que Drew sendo o seu superior, não aceita dar-lhe parte fraca e mostra-lhe que as mulheres podem ser tão ou mais ambiciosas que os homens. Só que acabam por cair no mesmo jogo, e quando tudo parecia que estar a resultar, males entendidos acontecem.

Poderá um homem mostrar a uma mulher o quanto a quer? O quanto a quer fazer feliz? O quanto a ama? E poderá uma mulher aceitar um homem egocêntrico? Perdoar-lhe a estupidez? E aceitar ser feliz com uma pessoa que lhe vira a cabeça de pernas para o ar?
 
Já não me ria assim com um livro há algum tempo, as tiradas do Drew são fantásticas e não há maneira de não concordar com ele, ou pelo menos, compreender onde ele quer chegar. Sim porque este homem tem umas analogias fantásticas e quer que os leitores percebam bem onde ele quer chegar. Ah, porque ele fala mesmo para o leitor, é como se ele parasse o que está a fazer para nos explicar como é que as coisas se procedem. E desta maneira simples ele consegue marcar pontos nos nossos corações. Pode dizer o que for mais ridículo mas fá-lo de uma maneira que tanto apetece bater-lhe como dar-lhe um abraço, pois devido à sua bem explicada realidade, ele é como é devido a imensas circunstâncias mas não deixa de ser humano.

Emma Chase conseguiu captar na perfeição a mente de um homem (ou como as mulheres imaginam que seja a mente masculina). Dava por mim a falar para a personagem para não fazer isto ou aquilo, ou a por a mão na cabeça por já saber o que ai vinha. Mas o bónus foi conseguir criar uma personagem masculina que falasse realmente para um leitor maioritariamente feminino e lhe fizesse ver aquilo que eles sabem sobre as mulheres e quais deveriam ser realmente as suas atitudes perante os homens. Por mim dava outro nome ao livro: os conselhos do Mr. Evans.

Descontraído, divertido, linguagem normal (not), personagens capazes de levar qualquer um à loucura num mundo onde o amor deveria de ser o último item numa lista de afazeres na vida porém resolve intrometer-se quando menos se espera.
 
Citações:

“Women fall in love quicker than men. Easier and more often. But when guys fall? We go down harder. And when things go bad? When it's not us who ends it? We don't get to walk away.
We crawl.”  


“Fine’s a funny word, don’t you think? I don’t think there’s another like it in the English language that says so much while actually saying so little.”

“There are three kinds of males in this world: boys, guys, and men. Boys – like Billy – never grow up, never get serious. They only care about themselves, their music, their cars. Guys – like you – are all about numbers and variety. Like an assembly line, it’s just one one-night stand after another. Then there are men – like Matthew. They’re not perfect, but they appreciate women for more than their flexibility and mouth suction.”  

“It’s simple guy logic: If a woman is angry? It means she cares. If you’re in a relationship and a chick can’t even be bothered to yell at you? You’re screwed. Indifference is a woman’s kiss of death. It’s the equivalent of a man not interested in sex. In either case—it’s over. You’re done.” 

“Remember when I said all guys talk to their friends about sex?
Well, we do.
But no guy talks to his friends about sex with his girlfriend. Ever.” 


Classificação: 5 de 5*

Opinião Livro

A Filha do Capitão, José Rodrigues dos Santos


Título Original: A Filha do Capitão
Autor: José Rodrigues dos Santos
Editora: Gradiva
Páginas: 636
Ano Publicação: 2004

Sinopse

A Filha do Capitão é a história de uma grande paixão em tempo de guerra. Quem sabe se a vida do capitão Afonso Brandão teria sido totalmente diferente se, naquela noite fria e húmida de 1917, não se tivesse apaixonado por uma bela francesa de olhos verdes e palavras meigas. O oficial do exército português estava nas trincheiras da Flandres, em plena carnificina da I Guerra Mundial, quando viu o seu amor testado pela mais dura das provas. Em segredo, o Alto Comando alemão preparava um ataque decisivo, uma ofensiva tão devastadora que lhe permitiria vencer a guerra num só golpe, e tencionava quebrar a linha de defesa dos aliados num pequeno sector do vale do Lys. O sítio onde estavam os portugueses. Tendo como pano de fundo o cenário trágico da participação de Portugal na Grande Guerra, A Filha do Capitão traz-nos a comovente história de uma paixão impossível e, num ritmo vivo e empolgante, assinala o regresso do grande romance às letras portuguesas. O Capitão Afonso Brandão mudou a sua vida quase sem o saber, numa fria noite de boleto, ao prender o olhar numa bela francesa de olhos verdes e voz de mel. O oficial comandava uma companhia da Brigada do Minho e estava havia apenas dois meses nas trincheiras da Flandres quando, durante o período de descanso, decidiu ir pernoitar a um castelo perto de Armentières. Conheceu aí uma deslumbrante baronesa e entre eles nasceu uma atracção irresistível. Mas o seu amor iria enfrentar um duro teste. O Alto Comando alemão, reunido em segredo em Mons, decidiu que chegara a hora de lançar a grande ofensiva para derrotar os aliados e ganhar a guerra, e escolheu o vale do Lys como palco do ataque final. À sua espera, ignorando o terrível cataclismo prestes a desabar sobre si, estava o Corpo Expedicionário Português. Decorrendo durante a odisseia trágica da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, A Filha do Capitão conta-nos a inesquecível aventura de um punhado de soldados nas trincheiras da Flandres e traz-nos uma paixão impossível entre um oficial português e uma bonita francesa. Mais do que uma simples história de amor, esta é uma comovente narrativa sobre a amizade, mas também sobre a vida e sobre a morte, sobre Deus e a condição humana, a arte e a ciência, o acaso e o destino.

Decidi ler este livro depois de mostrar o meu interesse à Silvana do Por detrás das palavras e assim nasceu a nossa vontade de fazer uma leitura conjunta, de onde nasceram os nossos retalhos.



Este livro foi a minha estreia com José Rodrigues dos Santos. E para quem nunca leu nada do autor, fiquei bastante entusiasmada e cativou-me imenso toda a dimensão histórica que ele se empenhou em descrever na perfeição. Não sei se é uma característica do autor, mas se o for, é uma mais-valia.

Dividido em 3 partes, a primeira começa por descrever o crescimento das personagens principais: Afonso e Agnès. O segundo denominado por Flandres, abarca todo o tempo de guerra, especificamente a entrada de Portugal na 1º Guerra Mundial. Enquanto a 3º parte, Tempestade, é descrito o fim da guerra e as suas consequências. As duas últimas partes são verdadeiros relatos e homenagens aos nossos homens que combateram numa guerra para que pouco ou nada estavam preparados. Contudo conta sempre com pano de fundo a paixão e o amor que surge em tempos conturbados. 


Afonso Brandão nasce em Rio Maior, filho mais novo de uma família numerosa e pobre, desde cedo é educado para trabalhar. Quando começa a ganhar uns trocos, a dona da loja, resolve mantê-lo longe da sua filha com o objectivo de não existirem gravidezes e casamentos precoces, nem vir a ter um genro que não tem onde cair morto. Por isso, primeiro é necessário instrui-lo e nada melhor que ir para um seminário. Mas quando as coisas por lá não correm tão bem quanto o suposto, o melhor é mandá-lo para o exército. E é assim que de um momento para o outro se torna capitão. Vai comandar as tropas portuguesas em Flandres e é aí conhece o amor da sua vida.

Agnès Chevallier tem um crescimento normal e bom com os seus irmãos e pais. Bastante apaparicada pelo pai, cedo começa a ter um interesse em vinhos, mas a sua verdadeira paixão é ajudar os outros e a medicina. É quando entra na universidade que se apaixona pelo 1º marido Serge, só que também é a guerra que lho tira. Numa altura desesperante e desamparada, surge Charles, um velho conhecido da família, que lhe dá a mão, acabando por se unir a ele. Depois de não ter terminado o curso, de pouco ter vivido com Serge, não ver a família há tanto tempo, e Charles ser mais um pai que marido, Afonso entra na sua vida como um raio de sol.


Ambos têm personalidades muito fortes, desde pequenos que mostram que estão insatisfeitos com certas questões e querem saber até à exaustão todas as explicações, seja sobre a religião, a guerra ou a psicanálise. Afonso e Agnès mostram que são recatados, inteligentes, calmos, mas Agnès quando chega ao início da fase adulta a parte da moderação e ponderação deixa de existir e vemos uma personagem muito impulsiva. Aliás, esta personagem foi a única que tanto se notava uma evolução no seu crescimento como uma regressão. Enquanto o Afonso sempre se manteve no mesmo registro mesmo em alturas que era necessário mais pulso e rigidez.

Não só fala dos surgimentos dos clubes portugueses, como o Benfica e o Sporting, como a morte do rei Carlos I, a implantação da Republica, os novos ideais políticos, como ainda o grande foco da história, é a 1º Guerra Mundial. A vida nas trincheiras da Brigada do Alto Minho, onde personagens secundárias como Matias, Baltazar e Vicente, conseguiram encher páginas com humor num cenário tudo menos humorístico. A dura realidade de soldados que em nada estavam preparados para aquela guerra, tanto que, eram gozados e apontados pelo cansaço, por serem os menos higiénicos, pelos trapos que usavam, e pela facilidade de lutar contra eles. 
Também é feito o paralelismo entre a vida portuguesa e francesa através dos  nossos protagonistas, nos inícios do séc. XX. Portugal estava completamente atrasado no tempo, existindo apenas um vislumbre de pequenas mudanças na capital. Enquanto que a família Chevallier pôde proporcionar aos filhos a ida para a universidade, em Portugal era considerado um feito quem o pudesse fazer.

Uma narrativa perfeita que consegue buscar momentos históricos e reais e interliga-los com o nascer de uma história de amor. Bebendo ainda inspiração na ruralidade, na religião, nos modos e aparências das várias personagens de diferentes países que vão aparecendo, na conduta dos capitães e os seus subalternos. 
Não é difícil deixarmo-nos invadir pelos sentimentos das personagens, conseguimos percebê-los e sentir empatia tal é a maneira cativante com que o autor escreve. Rico em descrições que trouxeram a lume a dura realidade da guerra e do que esta pode juntar, mas que igualmente pode separar para sempre.

Citações:

"Viver é sofrer. E o que é mais curioso é que, apesar de ser um constante sofrimento, nós agarramo-nos à vida com todas as nossas forças, como se fosse o maior tesouro, a coisa mais preciosa. Mas a vida está sempre in articulo mortis. Ela foge-nos, escapa-nos como água entre os dedos, morremos em cada respiração, a cada palavra, a cada olhar, momento a momento encurta-se a distância que nos separa do nosso fim, nascemos e já estamos condenados à morte. A vida é breve, não passa de um instante fugaz de um brilho efémero nas trevas da eternidade”  

"Depressa caía em si e percebia que o guião já estava escrito, não era possível mudar o passado, o que fora feito ficara feito, aquela era uma estrada já percorrida e sem retorno, uma ópera triste que já fora cantada."

"Sabe, meu capitão, descobri que o mais duro não é fazer a guerra," murmurou o antigo cabo. "O mais difícil é sobreviver a ela, é viver com ela depois de ter vivido nela."

Classificação: 5 de 5*