Opinião Livro

Persuasão, Jane Austen


Título Original: Persuasion
Autor: Jane Austen
Editora: Editorial Presença
Género: Romance Histórico
Colecção: Grandes Narrativas
Páginas: 256
Ano Publicação PT: 2007
ISBN: 9789722321136

Sinopse

É em «Persuasão», o último romance acabado de Jane Austen, que encontramos a sua heroína mais notável - Anne Elliot. Sobre ela escreveu, um dia, a autora: "ela é quase demasiadamente boa para mim." No entanto, naquela que é a sua obra mais amadurecida, que descreve uma órbita de afastamento nítida em relação ao tom predominantemente satírico dos seus anteriores romances, Austen trata o carácter e os afectos da protagonista de uma forma que, sem perder totalmente de vista a ironia é, sem sombra de dúvida, muito mais terna, e anuncia já uma percepção mais aberta e dinâmica da personalidade e comportamentos humanos. Uma história de amor, desenvolvida com profundidade e subtileza, proporciona o campo ideal para um estudo refletido, que sustenta na sua linha de horizonte o complexo relacionamento entre os dois sexos, e no qual homem e mulher surjem como seres moralmente análogos.



O meu primeiro livro lido de Jane Austen e o último a ser escrito por ela. E tenho a dizer que me encantou bastante. Eu sei os temas que costumam abordar as obras dela e este não foi excepção. A crítica à sociedade daquela época é um dos pontos que Austen chama a atenção com personagens fúteis, de caracter dramático, de desdenhar da vida dos outros, que vivem de estatuto social e amizades convenientes, a quem a aparência tem mais peso que qualquer outra coisa e o peso de a influência de outra pessoa pode ter na nossa vida.

Porquê Persuasão?! Porque Anne Elliot, a filha do meio de Sir William Elliot, foi convencida pela sua família e pela grande amiga Lady Russel, a não casar com o grande amor da sua vida. Apesar de na altura ter 19 anos, o que lhe apontaram como falha para este casamento, era a falta de posição social e dinheiro do seu namorado. Mas quis o destino que oito anos depois, a família Elliot passasse por dificuldades financeiras e uma das maneira de ultrapassá-la seria alugar a casa à irmã do ex-namorado de Anne, e que agora este estivesse muito bem financeiramente. E será que um grande amor resiste às marcas de um passado?


Miss Anne Elliot depois de ser recrutada pela irmã mais nova Mary, a única casada, para passar uma temporada consigo, nem imagina que terá de se cruzar e conviver com o Capitão Frederick Wentworth. Tudo porque este começa a frequentar a casa dos sogros de Mary e esta sabendo da boa influência que é dar-se com alguém daquele calibre não hesita em querer comparecer a todos os jantares e convívios que os sogros dão em honra de Wentworth. Anne bem tenta escapar a estes encontros mas parece inevitável. 

Não é fácil tentar agir normalmente sem tornar cada momento embaraçoso mas com o tempo começa a acostumar-se com a indiferença que Frederick demonstra, preferindo este mostrar toda a sua simpatia e galanteio para com as irmãs do marido de Mary, Louisa e Henrietta Musgrove. Quando todos parecem a notar a preferência de Frederick para com Louisa, quando se dá um acidente com esta, é Anne que põe toda a família e amigos em sentido para ajudarem a pobre rapariga. E se há momentos esclarecedores, este não podia ter sido mais para Wentworth.


Depois destas situações todas, ainda conhece o primo que herdará o título de Sir William Elliot, porque este não teve nenhum filho varão; retomará uma amizade antiga com uma colega de escola e que se revelará bastante útil e ainda dará conselhos a uma homem que perdeu o sentido à vida depois de a mulher falecer. E mesmo sentindo-se ocupada o seu pensamento nunca está longe de Frederick, sem saber que este pensa exactamente da mesma maneira. Depois de vários encontros e desencontros que têm tudo para dar errado, ele consegue finalmente revelar-lhe o que sente e tudo o que espera dela é um simples sinal de que o passado ainda é bem presente no seu coração.
 
Anne basicamente é a personagem sensível, determinada, isolada e a quem a beleza não abundou muito. O oposto das irmãs e do pai, ela pode ser descrita como o “patinho feio” ou a “ovelha negra da família”, apesar de fazer tudo por aquela família não é vista aos olhos deles com quaisquer competências, sendo subjugada a sua vontade em detrimento dos outros. Já Wentworth é descrito como bastante apaixonado pela vida, pelos barcos, por livros. Um homem de verdadeiros talentos e boas maneiras, mas apesar de querer assentar e querer conhecer outras mulheres, nenhuma consegue chegar aos calcanhares de Anne. Este foi provavelmente a personagem que sempre acreditou no valor daquela mulher. É caso para dizer que nunca se esquece o primeiro amor.

Não é um clássico massudo mas é tão fluída e simples a leitura que foi muito fácil compreender aquele mundo, o que aponto como defeito são os nomes repetidos das personagens, que às tantas, já não sabia de quem estavam a falar. É perfeito para entender o século XIX e perceber pela caracterização pertinente de cada uma das personagens a imagem das preocupações sociais da época. Perfeito para a minha estreia com Jane Austen.

Citações:

"O pior mal de um caracter excessivamente dócil e indeciso resido no facto de não se poder confiar no efeito de qualquer influência sobre ele. Nunca temos a certeza de que uma boa impressão seja duradoira. Qualquer pessoa a pode fazer vacilar. Que aqueles que desejam ser felizes sejam firmes!" 

"Como muitos outros grandes moralistas e pregadores, tinha sido eloquente numa matéria em que a sua própria conduta não sairia incólume de um exame aprofundado."


Classificação: 4,5 de 5*
 
 

Curtas Novidades Adaptações




Maleficent



Não param de chegar novidades sobre este filme, ontem nos Grammys foram revelados mais um trailer e ainda a nova música de Lana Del Rey.
 



A música neste trailer funciona muito bem...



Mas não sei...não fiquei muito fã ao ouvir a música completa.

Curtas Novidades de Adaptações



Maleficent




Estou mesmo curiosa com este filme que tem estreia prevista para 5 de Junho por cá.
Angelina Jolie é a Maléfica, Elle Fanning a Princesa Aurora e Brenton Thwaites é o Príncipe Filipe.

E a Angelina não podia ter sido melhor escolha, ela tem mesmo a cara de má e tem ar de ser completamente doida do miolo :P

E uma das músicas presentes na banda-sonora pertence a Lana Del Rey com Once Upon a Dream. E será hoje mesmo apresentada nos Grammys.


Veronica Mars




Tem estreia prevista para 14 de Março nos EUA a adaptação cinematográfica de uma das séries juvenis mais populares de todos os tempos.
A ver vamos se se vai manter fiel aos seus leais fãs.

Fifty Shades Grey




A nova imagem promocional do filme foi ontem divulgada. E vamos poder vê-lo daqui a um ano no Dia dos Namorados. Realmente é sempre um bom filme para ver nesse dia, e os "desastres" que vão acontecer para tentarem pôr em prática aquilo que acabaram de ver :P

Mas eu sempre que olho para o poster só me salta uma coisa à vista, bumbum! Não há hipótese.


Gone Girl




Foi anunciado esta semana que a banda-sonora do filme baseado no best-seller de Gillian Flynn será composta por Trent Reznor & Atticus Ross. São os mesmos que assinaram o também filme de David Lynch, A Rede Social, e chegaram mesmo a ganhar o óscar para Melhor Banda-Sonora Original em 2011.

Desculpem lá a imagem, apesar de ser uma capa de revista, não deixa de ser brutal e doentia.


Mockingjay Part 1




Foi divulgado o novo poster da 1º parte do filme A Revolta, e não posso dizer tenha tenha ficado satisfeita por ele é igualzinho aos outros todos. 
E só me faz lembrar a parte no último filme quando a Katniss levanta os braços depois do vestido ter pegado fogo.






Espero que tenham gostado destas curtas, apesar de já não serem novidades.
Volto assim que tiver mais.

1º Maratona Literária 2014



Mais uma maratona literária em que vou participar e que começa já amanhã a partir das 00.00 até às 23.59 dia 31 de Janeiro.
Esta é uma maratona promovida pelas queridas Silvana do Por detrás das palavras e a Catarina R. do Sonhar de olhos abertos que pretendem que todos os meses exista uma maratona com vários desafios diários e haverá sempre temática aplicada. E este mês a temática é: 

  • Livros escritos por autores que nunca leram
Fácil vai ser escolher os livros porque tenho ali na estante vários autores que nunca li, mas espero é que esteja realmente com moral para levar a cabo e com sucesso esta maratona. Mas o que importa é tentar e participar.

Por isso boa sorte para todos e boas leituras!



Opinião Livro

Paixão Sublime, Lisa Kleypas



Título Original: Devil in Winter
Autor: Lisa Kleypas
Editora: 5 Sentidos
Género: Romance Histórico
Série: À Flor da Pele
Páginas: 320
Ano Publicação PT: 2013
ISBN: 9789897450082

Sinopse

A boca dela roçou a dele, sedosa, macia e quente… e ele sentiu o estonteante toque da sua língua. Acendeu-se-lhe, desde logo, a chama do desejo e deixou-se afogar num prazer imoderado, poderoso, como nunca havia sentido.

Quatro jovens damas da sociedade londrina procuram um bom partido. Chega a vez de Evangeline Jenner, a mais tímida, mas também a mais rica, logo que cobre a sua herança.
Para escapar às garras da família, Evie pede ajuda a Sebastian, Lord St. Vincent, um conhecido libertino, fazendo-lhe uma proposta irrecusável: que se case com ela, trocando riqueza por proteção.
Mas a proposta impõe uma condição: depois da noite de núpcias, os dois não voltarão a encontrar-se na intimidade, pois Evie não quer ser mais um coração partido na longa lista de conquistas de Sebastian.
A Sebastian resta esforçar-se mais para a seduzir… ou entregar finalmente o coração, em nome do verdadeiro amor.



Depois de ler Sedução Intensa tive logo de ir a correr comprar o próximo volume porque o epílogo denunciou tudo o que se ia passar. E a vontade era tanta de lhe pegar que depois de o acabar soube a pouco. Não sei, a história tem tudo para dar certo, mas nem me aqueceu nem arrefeceu. Achava tanto que com o decorrer normal da série a minha adoração fosse crescendo, mas com este recuou um pouco. As expectativas altas estragam realmente tudo...

O que é que pode dar certo entre uma rapariga tímida e gaga e um rapaz mulherengo e tão seguro de si? Aparentemente nada, a não ser que seja feito um pacto entre ambos para se casarem. É esta a proposta de Evangeline Jenner a Sebastian St. Vicent para conseguir escapar às garras da sua família soberba e ainda poder acompanhar o pai nos seus últimos momentos. Se St. Vicent fica espantado com tamanha ousadia da parte de uma rapariga que demonstra ser frágil em eventos sociais, aceita sem reservas quando vê que as suas hipóteses de continuar com o seu estilo de vida já se esgotaram.

Evie através de uma gaguez auto-provocada esconde-se do mundo que desde cedo aprendeu a evitar para se proteger, mas quando se vê encurralada decide escolher um homem que, até atentou contra a sua própria amiga, para conseguir ser finalmente independente.
Se St. Vicent nunca se tinha apercebido dela, começa a tomar bastante noção da mulher que agora é sua esposa. A beleza singular, a firmeza e coragem de Evie conquistam Sebastian, que nunca se viu perante tal estado de querer proteger e segurar a única mulher que o levou a entrar para o clube dos casados. Se no início era uma união de conveniência depressa passa a ser mais do que isso e atracção começa a ser difícil de controlar. 


Porém, o facto de conhecer Sebastian St. Vicent do livro anterior, fiquei desiludida e espantada com a construção que a autora quis fazer a esta personagem nesta obra. A ideia que era um homem capaz de qualquer coisa para obter aquilo que queria, e pareceu-me demasiada repentina a transformação num homem que já faz quase tudo por uma mulher que mal conhece. Achei que por mais que a provocasse e fingisse desinteresse, pareceu-me desde o início, com uma postura demasiada interessada nela e naquilo que a envolvia. Senti que passou do 8 ao 80 em tão pouco tempo e não bateu certo para um homem daquela natureza. Talvez na minha ideia estivesse um homem realmente frio e impenetrável e com o tempo ela lá conseguisse mudar essa postura, mas conseguiu fazê-lo logo de início, mesmo que ele não o admitisse. E esperava que houvesse mais confrontos pela parte dos familiares dela, já que desde o primeiro momento da série ficamos a saber que a maldade deles não tem limites.

O que achei engraçado foi que mal houve espaço para as outras encalhadas, o que ajudou a reforçar o poder que Evie sempre teve e que era a sua família que a inferioriza e aterroriza. Só mesmo para o final é que houve estas aparições e o surgimento de Lillian e o marido Marcus trouxe outra forma de encarar o “novo” Sebastian. Mesmo que o que tenha feito seja desprezível não significa que não seja perdoável e que um voto de confiança não possa ser dado. Afinal as segundas oportunidades devem ser dadas para se provar que há espaço para a mudança e melhoramento.


Lisa Kleypas sabe bem o que faz e é mestre neste género ao criar personagens carismáticas, e lá porque este não me encheu as medidas não significa que não queira terminar a série À Flor da Pele.  E se no anterior tivemos um cheirinho do que poderia acontecer com a próxima encalhada, este não foi diferente e já me deixou ansiosa para conhecer o desfecho da Daisy. Venha lá ele. 


Citações:


“Nunca tentes recuar ao chegares a uma estrada nova – não sabes que aventuras te esperam.”


“Pense realmente no que quer. Há muito poucas coisas que não possa vir a ter…desde que se atreva a estender a mão para elas.”

Classificação: 4 de 5*