Opinião Livro

De Olhos Fechados, Eve Berlin


Título Original: Pleasure's Edge

Autor: Eve Berlin
Editora: Quinta Essência
Género: Literatura Erótica
Ano Publicação PT: 2013
Páginas: 280
ISBN: 9789897260452

Sinopse

Alec Walker é um escritor de thrillers psicológicos sombrios - e um homem que vive para as suas emoções. Desde motos a skidiving, passando por nadar com tubarões, a sua busca incessante de prazer e excitação não tem fim. Essa busca estende-se também às suas relações pessoais, onde nenhuma regra limita os seus desejos. A única coisa que Alec teme é o amor - e permitir que outra pessoa o conheça realmente.

Enquanto faz investigação para um livro sobre extremos sexuais, Dylan entrevista Alec - e anseia por saborear a tentação que ele lhe oferece. No entanto, Alec é um dominador famoso e ela recusa entregar-lhe o controlo. Lenta e sedutoramente, Alec mostra-lhe que ao entregar-se-lhe de forma incondicional e submeter-se a todos os seus desejos, ela poderá experimentar o derradeiro prazer. Porém, para poder ficar com a mulher que pela primeira vez o faz ajoelhar, será Alec capaz de correr o maior de todos os riscos e entregar o seu coração?

Embalados por um misto de prazer e apreensão, o casal vê-se numa situação tentadora enquanto evita entregar-se ao sentimento que nasce entre eles.



Fiquei surpresa com esta história. Como foi considerado o Melhor Romance Sensual de 2010 pensei de que alguma forma se fosse destacar entre os demais, mas não o senti dessa forma. Talvez se em 2010 o tivesse lido ele teria outro efeito em mim, tendo em conta, que só o ano passado a moda do género erótico passou a estar tão em voga e passei a dar-lhe mais atenção. Dito isto, não desgostei mas é apenas mais um livro sobre sexo.

Muito parco na vida de ambos os protagonistas, seja ela profissional ou pessoal. Só sabemos que os protagonistas são ambos escritores, Dylan Ivory de romances eróticos e Alec Walker de thrillers psicológicos. O livro se formos a ver bem é um manual para aprender a dar prazer e o desconstruir o BDSM. E apesar de serem mencionadas outras personagens, maioritariamente o livro foca-se apenas nos protagonistas, não saindo do registo da vida sexual que ambos vão mantendo. O que de alguma maneira estraga o propósito de quem está à espera de mais conteúdo para além do sexual.

Também o uso de expressões como “linda menina” estragaram o ambiente criado, parecia que ele estava a falar com um animal. E já agora o nome da protagonista de Dylan dificultou-me porque até ao final do livro sempre que lia Dylan pensava que era um homem, e tinha que me estar constantemente a lembrar que afinal Alec era o nome do homem.

O que gostei foi o facto de nos ser dado a perspectiva tanto de Dylan como de Alec. O que ambos iam sentindo apesar de terem dificuldades em perceber ou quererem perceber os sentimentos à flor da pele. 
Só que estas histórias do irresistível e não me estou ou não me vou apaixonar, dão um sabor amargo à própria trama. Digo isto, porque para pessoas tão controladas e tão focadas nos seus objectivos, desde o primeiro momento eles deixaram-se consumir pelos seus desejos e mostram que afinal são pessoas vulneráveis e que carecem de atenção e amor. Ou seja, o que quero dizer com isto é que gostava de os ver mais seguros e que gerissem melhor os seus sentimentos e aquilo que são, porque amar também é ter a certeza do que queremos.

A autora faz descrições e usa uma linguagem bem apropriada ao tema, e sinceramente para quem nada percebe do BDSM, acho que ela explica da maneira mais correcta. Só que talvez seja uma romântica e estava à espera de mais conteúdo à volta deles, não sou nada susceptível perante o género erótico, mas gosto sempre quando há mais para além do puramente sexual. 

Citações:

"Não há nada de errado em sentir. Não podes manter tudo trancado dentro de ti a vida inteira."

"Deixara passar muito da sua vida sem realmente apreciar tudo. Tinha-se preocupado em correr, ignorando a história, as pessoas, a vida."

Classificação: 2 de 5*
 


Música da Semana


[Já devia ter publicado ontem mas passou-me.]

Sobre a música em questão, de vez em quando, existem canções que gosto de ouvir pelo ritmo que me faz querer dançar e interpretar como aqueles vídeos de gangsters e mafiosos com todos os tiques subjacentes ao género. Por isso, enjoy it and bounce ;)




Noite Cinematográfica

Os Instrumentos Mortais: A Cidade dos Ossos



Baseado no livro homónimo de Cassandra Clare, segue a história de Clary Fray que descobre a sua verdadeira origem e que os seus poderes descendem dos Caçadores de Sombras, guerreiros que lutam contra os demónios existentes num mundo paralelo ao humano.



Opinião Livro

A Rapariga que Roubava Livros, Markus Zusak



Título Original: The Book Thief
Autor: Markus Zusak
Editora: Editorial Presença
Género: Romance
Ano Publicação PT: 2008
Páginas: 463

ISBN: 9789722339070

Sinopse

Quando a morte nos conta uma história temos todo o interesse em escutá-la. Assumindo o papel de narrador em A Rapariga Que Roubava Livros, vamos ao seu encontro na Alemanha, por ocasião da segunda guerra mundial, onde ela tem uma função muito activa na recolha de almas vítimas do conflito. E é por esta altura que se cruza pela segunda vez com Liesel, uma menina de nove anos de idade, entregue para adopção, que já tinha passado pelos olhos da morte no funeral do seu pequeno irmão. Foi aí que Liesel roubou o seu primeiro livro, o primeiro de muitos pelos quais se apaixonará e que a ajudarão a superar as dificuldades da vida, dando um sentido à sua existência. Quando o roubou, ainda não sabia ler, será com a ajuda do seu pai, um perfeito intérprete de acordeão que passará a saber percorrer o caminho das letras, exorcizando fantasmas do passado. Ao longo dos anos, Liesel continuará a dedicar-se à prática de roubar livros e a encontrar-se com a morte, que irá sempre utilizar um registo pouco sentimental embora humano e poético, atraindo a atenção de quem a lê para cada frase, cada sentido, cada palavra. Um livro soberbo que prima pela originalidade e que nos devolve um outro olhar sobre os dias da guerra no coração da Alemanha e acima de tudo pelo amor à literatura.



Há tantos livros que nunca terei a sorte de os vir a ler. E há outros tantos que tive a sorte de decidir ler. Esta obra foi um desses, as expectativas estavam altas e não foram defraudadas. E o que funcionou bem foi a simplicidade de descrever personagens tão humanas apesar de estarem num contexto tão trágico. Uma história que me marcou e que definitivamente um dia quando tiver filhos, lhes darei a conhecer. 

A premissa gira em torno de Liesel Meminger, desde o fatídico dia em que enterrou o irmão e teve que deixar partir a mãe para viver com os Hubermann até ao dia em que ela própria entra em contacto com a Morte. A Morte é a narradora e a figura omnipresente em toda a história, é através do caderno preto e poeirento A Rapariga que Roubava Livros que encontrou nos escombros, que nos apresenta toda a história de Liesel.


É durante a 2º Guerra Mundial que a vida da sacudidora de palavras é virada de pernas para o ar e que inicia os seus delitos. Mesmo sem saber ler, o 1º dos livros que rouba, é o manual perfeito para o pai Hans Hubermann, com olhos de prata, lhe ensinar a ler. Ao todo são 14, entre roubados e dados, os livros de Liesel. Daqui inicia uma jornada de gosto pelas palavras e pelo poder da escrita.
É o que faz unir as personagens, funcionou durante os bombardeamentos na cave, funcionou para a vizinha sofredora no seu luto por um filho e funcionou durante a estadia e doença de Max, um judeu foragido, em casa dos Hubermann. Facto que até faz com que este escreva um livro usando o Mein Kampf para oferecer a Liesel, contendo a esperança que aquela amizade simbolizou para ele, o poder que as palavras certas podem demonstrar segurança, afecto e confiança num futuro melhor. A ironia está que foi um livro anti-semitista que salvou a vida a um judeu e que serviu para passar a mensagem contra a uma Alemanha fascista.


Se muitos vêm a 2º Guerra Mundial como o domínio e poderio da Alemanha, só aqueles que realmente viveram naquele tempo sabem que o povo alemão também foi sacrificado por toda aquela política de erradicação e expansão. As condições profissionais e pessoais não eram as melhores, muitos eram os que passavam fome e frio, que foram perdendo os postos de trabalho, que sofriam com as mortes do familiares enviados para a guerra. Também dá a visão que nem todos os alemães eram de acordo com as ideias radicais do país, basta ver a atitude de Hans Hubermann que por duas vezes ajudou os judeus ou o pequeno Rudy, o melhor amigo de Liesel, que detestava o Hitler e a Juventude Hitleriana.


Saumensch e saukerl palavras tão proferidas por Rosa Hubermann, a mãe adoptiva, que apesar das atitudes de ferro e tão à flor da pele veio a demonstrar o bom coração que possuí, quando acolheu um judeu debaixo do seu tecto e quando não era mais que a mulher com o acordeão preso ao corpo. 
E agora vou falar das personagens mais encantadoras para mim nesta história. Rudy, o rapaz com cabelo cor de limão, que esperava em qualquer contexto, um beijo da sua melhor amiga. Aquele que ajudava nos roubos dos livros em casa do presidente da câmara, aquele que salvou um livro das águas geladas, aquele que se pintou de preto para vangloriar Jesse Owens e que colocou um urso de pelúcia em cima de um corpo. Aquele que nunca veio a saber o gosto de um beijo do primeiro amor. Em tão tenra idade e com um coração de ouro, que me fez rir tantas vezes e que me fez chorar no final. 
Também podia falar da boa surpresa que foi Ilsa Hermann e do sofredor Max Vandenburg, mas Hans Hubermann merece o tempo de antena. Mesmo com os acessos de raiva da mulher, foi um homem sempre fiel ao seu cigarro enrolado e acórdão, que conseguia acalmar Liesel dos pesadelos e que permanecia sentado na cadeira do quarto desta até serem horas de acordar. Aquele que desafiou a morte por duas vezes e que ajudava aqueles que ele via como iguais e como merecedores de auxilio, mesmo tendo sido castigado pela dureza das palavras e atitudes do filho. Um homem bondoso e altruísta.


E foram mesmo as personagem que me conectaram com esta história. É incrível sentir tamanha empatia por todas as que vão passando pela história (claro, menos o Hitler). É impossível não perceber as motivações e o sofrimento de muitas delas, mesmo quem tem atitudes menos correctas, sabe também mostrar o lado mais humano e entendemos que o ser humano erra e não é perfeito. Até a Morte é encantadora, emotiva, sarcástica, sincera e crua. Mesmo não tendo ligações emocionais nota-se que sente simpatia por todas aquelas pessoas e que "a visão dos humanos persegue-me."


Foi uma leitura mais do que agradável, que consegue emocionar e transmitir compaixão num ambiente tão sombrio como aquele. A escrita é tão simples, encantadora e delicada que nos sentimos realmente a beber e a absorver as palavras da vida da sacudidora de palavras e o belo recurso das metáforas da Morte. Aconselho vivamente, e não esquecer que o filme estreia no próximo ano no dia 13 de Fevereiro, por isso, apressem-se a ler.



Citação: 

“Uma pequena nota relevante: tenho visto ao longo dos anos tantos jovens que pensam estar a correr para outros jovens. Não estão. Estão a correr para mim.”

" Por favor, acreditem-me quando lhes digo que nesse dia peguei em cada alma como se fosse recém-nascida, beijei mesmo algumas faces abatidas, envenenadas. Escutei os seus derradeiros gritos sufocados. As suas palavras evanescentes. Contemplei as suas visões de amor e libertei-os do seu medo."

“Creio ser justo afirmar que, durante todos os anos do domínio de Hitler, ninguém foi capaz de servir o Führer tão lealmente como eu.”
“Agarrava-se desesperadamente às palavras que lhe haviam salvado a vida.”

Classificação: 5 de 5*
 


A Seguir TV

Revenge



Comecei à pouco tempo a seguir esta série da ABC, que já vai na 3º temporada, e até agora tenho gostado bastante. As interpretações de Emily VanCamp como Emily Thorne e Madeleine Stowe como Victoria Grayson estão soberbas.
Esta série tem como propósito a vingança de Emily Thorne, que em tempo foi Amanda Clark, contra todos aqueles que manipularam a vida do pai desta, que foi parar à prisão e daí separou-se para sempre da filha. Quando Amanda saí da instituição aos 18 anos, fica a saber que o pai morreu mas deixou-lhe meios para viver desafogada e uma caixa com todo o tipo de informações para ela poder vingar a destruição a que a família foi sujeita.
Assim, quando reuniu todas as hipóteses para a vingança, volta a Hamptons já como Emily Thorne para destruir todos aqueles que os prejudicaram.

Opinião Filme

What Maisie Knew






Título Original: What Maisie Knew
Realizador: Scott McGehee e David Siegel
Elenco: Julianne Moore, Alexander Skarsgard, Steve Coogan, Joanna Vanderham e Onata Aprile
Género: Drama
Ano Estreia: 2013
Classificação IMDb: 7,4









Pelos olhos da pequena Maisie (Onata Aprile) vamos descobrindo como é a vida de uma criança rodeada por pais irresponsáveis que decidem separar-se.

Quando o divórcio é declarado, a guarda de Maisie, é entrege ao pai Beale (Steve Coogan), um galerista. Só que cedo percebe que não pode cuidar da filha sozinho, e assim a ajudar preciosa de Margo (Joanna Vanderham), que já era a ama de Maisie, faz toda a diferença. Um casamento é apenas mais um casamento, e a conveniência deste aparentemente deixa ambas as partes satisfeitas. Só que a mãe Susanna (Julianne Moore), uma cantora de Rock, não aceita completamente a decisão do tribunal nem esta reviravolta com a ama. E de repente, também ela casa com um barman, Lincoln (Alexander Skarsgård), e Maisie passa assim a ter convivência com os novos parceiros dos progenitores. Só que depressa os verdadeiros pais descuram as suas obrigações para com a menina e são os “novos” pais que lhe dão a atenção merecida.


O que eu retiro deste filme é que para algumas pessoas ter filhos não é sinonimo de responsabilidade e muito menos de algo inato. O egoísmo, o egocentrismo e a negligencia não deviam ser defeitos presentes nos pais. Uma criança quando vem ao mundo não devia sentir-se desamparada e nem devia amparar e encobrir os erros de quem lhes dá a vida. O jeito que dá em “arranjar” um(a) novo(a) companheiro(a) para que desta forma as responsabilidades parentais sejam atribuídas ao outro parceiro, a pessoa que no fundo não tem que assumir o papel total de progenitor. Maisie é apenas mais um criança apanhada no efeito colateral do divórcio de pais já ausentes e pouco preocupados com o bem-estar desta. Pais que vivem desfocados da realidade em que a filha vive e com quem vive e convive. São precisos os “novos” progenitores para nascer assim uma nova família que a criança escolhe em detrimento da sua verdadeira. Pois todos nós buscamos o amor, e se ele nos é dado pelas pessoas mais improváveis, porquê rejeitá-lo quando somos rejeitados pelos que nos deviam amar incondicionalmente.


Adorei a interpretação da pequena Onata Aprile, o filme vive muito desta personagem porque é através da sua perspectiva que visionamos o enredo e esta pequena actriz sob estar à altura. Com um elenco fantástico que prima pelas interpretações e pela boa realização que fazem com que este filme consiga tocar o coração até da pessoa mais insensível. Fiquei igualmente surpresa ao saber que se trata de uma adaptação contemporânea da obra de Henry James, de 1897. Apesar da época em que foi escrito, contém temas bem actuais como o divórcio e as relações.Aconselho.