Opinião Livro

A Rapariga que Roubava Livros, Markus Zusak



Título Original: The Book Thief
Autor: Markus Zusak
Editora: Editorial Presença
Género: Romance
Ano Publicação PT: 2008
Páginas: 463

ISBN: 9789722339070

Sinopse

Quando a morte nos conta uma história temos todo o interesse em escutá-la. Assumindo o papel de narrador em A Rapariga Que Roubava Livros, vamos ao seu encontro na Alemanha, por ocasião da segunda guerra mundial, onde ela tem uma função muito activa na recolha de almas vítimas do conflito. E é por esta altura que se cruza pela segunda vez com Liesel, uma menina de nove anos de idade, entregue para adopção, que já tinha passado pelos olhos da morte no funeral do seu pequeno irmão. Foi aí que Liesel roubou o seu primeiro livro, o primeiro de muitos pelos quais se apaixonará e que a ajudarão a superar as dificuldades da vida, dando um sentido à sua existência. Quando o roubou, ainda não sabia ler, será com a ajuda do seu pai, um perfeito intérprete de acordeão que passará a saber percorrer o caminho das letras, exorcizando fantasmas do passado. Ao longo dos anos, Liesel continuará a dedicar-se à prática de roubar livros e a encontrar-se com a morte, que irá sempre utilizar um registo pouco sentimental embora humano e poético, atraindo a atenção de quem a lê para cada frase, cada sentido, cada palavra. Um livro soberbo que prima pela originalidade e que nos devolve um outro olhar sobre os dias da guerra no coração da Alemanha e acima de tudo pelo amor à literatura.



Há tantos livros que nunca terei a sorte de os vir a ler. E há outros tantos que tive a sorte de decidir ler. Esta obra foi um desses, as expectativas estavam altas e não foram defraudadas. E o que funcionou bem foi a simplicidade de descrever personagens tão humanas apesar de estarem num contexto tão trágico. Uma história que me marcou e que definitivamente um dia quando tiver filhos, lhes darei a conhecer. 

A premissa gira em torno de Liesel Meminger, desde o fatídico dia em que enterrou o irmão e teve que deixar partir a mãe para viver com os Hubermann até ao dia em que ela própria entra em contacto com a Morte. A Morte é a narradora e a figura omnipresente em toda a história, é através do caderno preto e poeirento A Rapariga que Roubava Livros que encontrou nos escombros, que nos apresenta toda a história de Liesel.


É durante a 2º Guerra Mundial que a vida da sacudidora de palavras é virada de pernas para o ar e que inicia os seus delitos. Mesmo sem saber ler, o 1º dos livros que rouba, é o manual perfeito para o pai Hans Hubermann, com olhos de prata, lhe ensinar a ler. Ao todo são 14, entre roubados e dados, os livros de Liesel. Daqui inicia uma jornada de gosto pelas palavras e pelo poder da escrita.
É o que faz unir as personagens, funcionou durante os bombardeamentos na cave, funcionou para a vizinha sofredora no seu luto por um filho e funcionou durante a estadia e doença de Max, um judeu foragido, em casa dos Hubermann. Facto que até faz com que este escreva um livro usando o Mein Kampf para oferecer a Liesel, contendo a esperança que aquela amizade simbolizou para ele, o poder que as palavras certas podem demonstrar segurança, afecto e confiança num futuro melhor. A ironia está que foi um livro anti-semitista que salvou a vida a um judeu e que serviu para passar a mensagem contra a uma Alemanha fascista.


Se muitos vêm a 2º Guerra Mundial como o domínio e poderio da Alemanha, só aqueles que realmente viveram naquele tempo sabem que o povo alemão também foi sacrificado por toda aquela política de erradicação e expansão. As condições profissionais e pessoais não eram as melhores, muitos eram os que passavam fome e frio, que foram perdendo os postos de trabalho, que sofriam com as mortes do familiares enviados para a guerra. Também dá a visão que nem todos os alemães eram de acordo com as ideias radicais do país, basta ver a atitude de Hans Hubermann que por duas vezes ajudou os judeus ou o pequeno Rudy, o melhor amigo de Liesel, que detestava o Hitler e a Juventude Hitleriana.


Saumensch e saukerl palavras tão proferidas por Rosa Hubermann, a mãe adoptiva, que apesar das atitudes de ferro e tão à flor da pele veio a demonstrar o bom coração que possuí, quando acolheu um judeu debaixo do seu tecto e quando não era mais que a mulher com o acordeão preso ao corpo. 
E agora vou falar das personagens mais encantadoras para mim nesta história. Rudy, o rapaz com cabelo cor de limão, que esperava em qualquer contexto, um beijo da sua melhor amiga. Aquele que ajudava nos roubos dos livros em casa do presidente da câmara, aquele que salvou um livro das águas geladas, aquele que se pintou de preto para vangloriar Jesse Owens e que colocou um urso de pelúcia em cima de um corpo. Aquele que nunca veio a saber o gosto de um beijo do primeiro amor. Em tão tenra idade e com um coração de ouro, que me fez rir tantas vezes e que me fez chorar no final. 
Também podia falar da boa surpresa que foi Ilsa Hermann e do sofredor Max Vandenburg, mas Hans Hubermann merece o tempo de antena. Mesmo com os acessos de raiva da mulher, foi um homem sempre fiel ao seu cigarro enrolado e acórdão, que conseguia acalmar Liesel dos pesadelos e que permanecia sentado na cadeira do quarto desta até serem horas de acordar. Aquele que desafiou a morte por duas vezes e que ajudava aqueles que ele via como iguais e como merecedores de auxilio, mesmo tendo sido castigado pela dureza das palavras e atitudes do filho. Um homem bondoso e altruísta.


E foram mesmo as personagem que me conectaram com esta história. É incrível sentir tamanha empatia por todas as que vão passando pela história (claro, menos o Hitler). É impossível não perceber as motivações e o sofrimento de muitas delas, mesmo quem tem atitudes menos correctas, sabe também mostrar o lado mais humano e entendemos que o ser humano erra e não é perfeito. Até a Morte é encantadora, emotiva, sarcástica, sincera e crua. Mesmo não tendo ligações emocionais nota-se que sente simpatia por todas aquelas pessoas e que "a visão dos humanos persegue-me."


Foi uma leitura mais do que agradável, que consegue emocionar e transmitir compaixão num ambiente tão sombrio como aquele. A escrita é tão simples, encantadora e delicada que nos sentimos realmente a beber e a absorver as palavras da vida da sacudidora de palavras e o belo recurso das metáforas da Morte. Aconselho vivamente, e não esquecer que o filme estreia no próximo ano no dia 13 de Fevereiro, por isso, apressem-se a ler.



Citação: 

“Uma pequena nota relevante: tenho visto ao longo dos anos tantos jovens que pensam estar a correr para outros jovens. Não estão. Estão a correr para mim.”

" Por favor, acreditem-me quando lhes digo que nesse dia peguei em cada alma como se fosse recém-nascida, beijei mesmo algumas faces abatidas, envenenadas. Escutei os seus derradeiros gritos sufocados. As suas palavras evanescentes. Contemplei as suas visões de amor e libertei-os do seu medo."

“Creio ser justo afirmar que, durante todos os anos do domínio de Hitler, ninguém foi capaz de servir o Führer tão lealmente como eu.”
“Agarrava-se desesperadamente às palavras que lhe haviam salvado a vida.”

Classificação: 5 de 5*
 


A Seguir TV

Revenge



Comecei à pouco tempo a seguir esta série da ABC, que já vai na 3º temporada, e até agora tenho gostado bastante. As interpretações de Emily VanCamp como Emily Thorne e Madeleine Stowe como Victoria Grayson estão soberbas.
Esta série tem como propósito a vingança de Emily Thorne, que em tempo foi Amanda Clark, contra todos aqueles que manipularam a vida do pai desta, que foi parar à prisão e daí separou-se para sempre da filha. Quando Amanda saí da instituição aos 18 anos, fica a saber que o pai morreu mas deixou-lhe meios para viver desafogada e uma caixa com todo o tipo de informações para ela poder vingar a destruição a que a família foi sujeita.
Assim, quando reuniu todas as hipóteses para a vingança, volta a Hamptons já como Emily Thorne para destruir todos aqueles que os prejudicaram.

Opinião Filme

What Maisie Knew






Título Original: What Maisie Knew
Realizador: Scott McGehee e David Siegel
Elenco: Julianne Moore, Alexander Skarsgard, Steve Coogan, Joanna Vanderham e Onata Aprile
Género: Drama
Ano Estreia: 2013
Classificação IMDb: 7,4









Pelos olhos da pequena Maisie (Onata Aprile) vamos descobrindo como é a vida de uma criança rodeada por pais irresponsáveis que decidem separar-se.

Quando o divórcio é declarado, a guarda de Maisie, é entrege ao pai Beale (Steve Coogan), um galerista. Só que cedo percebe que não pode cuidar da filha sozinho, e assim a ajudar preciosa de Margo (Joanna Vanderham), que já era a ama de Maisie, faz toda a diferença. Um casamento é apenas mais um casamento, e a conveniência deste aparentemente deixa ambas as partes satisfeitas. Só que a mãe Susanna (Julianne Moore), uma cantora de Rock, não aceita completamente a decisão do tribunal nem esta reviravolta com a ama. E de repente, também ela casa com um barman, Lincoln (Alexander Skarsgård), e Maisie passa assim a ter convivência com os novos parceiros dos progenitores. Só que depressa os verdadeiros pais descuram as suas obrigações para com a menina e são os “novos” pais que lhe dão a atenção merecida.


O que eu retiro deste filme é que para algumas pessoas ter filhos não é sinonimo de responsabilidade e muito menos de algo inato. O egoísmo, o egocentrismo e a negligencia não deviam ser defeitos presentes nos pais. Uma criança quando vem ao mundo não devia sentir-se desamparada e nem devia amparar e encobrir os erros de quem lhes dá a vida. O jeito que dá em “arranjar” um(a) novo(a) companheiro(a) para que desta forma as responsabilidades parentais sejam atribuídas ao outro parceiro, a pessoa que no fundo não tem que assumir o papel total de progenitor. Maisie é apenas mais um criança apanhada no efeito colateral do divórcio de pais já ausentes e pouco preocupados com o bem-estar desta. Pais que vivem desfocados da realidade em que a filha vive e com quem vive e convive. São precisos os “novos” progenitores para nascer assim uma nova família que a criança escolhe em detrimento da sua verdadeira. Pois todos nós buscamos o amor, e se ele nos é dado pelas pessoas mais improváveis, porquê rejeitá-lo quando somos rejeitados pelos que nos deviam amar incondicionalmente.


Adorei a interpretação da pequena Onata Aprile, o filme vive muito desta personagem porque é através da sua perspectiva que visionamos o enredo e esta pequena actriz sob estar à altura. Com um elenco fantástico que prima pelas interpretações e pela boa realização que fazem com que este filme consiga tocar o coração até da pessoa mais insensível. Fiquei igualmente surpresa ao saber que se trata de uma adaptação contemporânea da obra de Henry James, de 1897. Apesar da época em que foi escrito, contém temas bem actuais como o divórcio e as relações.Aconselho.

Opinião Filmes

Trip de Família






Título Original: We're The Millers
Realizador: Rawson Marshall Turber
Elenco: Jason Sudeikis, Jennifer Aninston, Emma Roberts, Will Poulter, Ed Helms
Género: Comédia, Crime
Ano Estreia PT: 2013

Classificação IMDb: 7,1












Decidi ver este filme no cinema, bem sei que a escolha não foi a mais correcta, mas estava em pleno verão e com as férias quase a acabar, por isso, lá fomos aproveitar para assistir a uma comédizinha. Não me senti completamente defraudada mas tenho que ser sincera que não é de todo um filme para gastar dinheiro.

A história junta quatro pessoas, que nada têm em comum, para formarem uma família falsa. David Burke (Jason Sudeikis) é um traficante de droga a quem é roubada marijuana quando tenta salvar uma rapariga de ser assaltada. Só que fica em divida para com o patrão Brad (Ed Helms), e a única maneira de saldá-la é ir até ao México e trazer uma nova mercadoria. Para despistar os possíveis problemas que podem surgir de ir de caravana sozinho até ao México, propõe a Rose (Jennifer Aniston), a vizinha stripper, ao também tímido vizinho Kenny (Will Poulter) e à rapariga tresloucada que salvou do assalto, Casey (Emma Roberts), formarem a família Millers, para esta viagem. Os benefícios desta significará ganhos para todos, já que o dinheiro será repartido, o problema são os obstáculos que têm de superar para serem bem sucedidos.

Tem situações engraçadas mas também tem muitas carregadas de exagero. O striptease de Jennifer Aniston, apenas foi uma maneira de mostrar que a mulher já com 40 anos continua para as curvas, mas não trouxe nada de relevante com a sua longa duração. Também os beijos trocados entre Kenny e Casey e Kenny e Rose tornaram toda a cena patética a partir do momento que aquilo nunca mais acabava. 
Um filme que se torna demasiado longo para um argumento desinspirado, é o típico filme perfeito para uma tarde de sábado. Dá para dar umas gargalhadas aqui e ali contudo é apenas mais um visto a juntar a toda uma panóplia de filmes do género. Uma road trip cheia de contratempos mas que não chega para satisfazer em pleno o espectador.